![]() |
27.2.04
Carnaval em Maresias Como é duro ser símio. Por mais que eu obtenha umas esmolas para gastar com as bugias; por mais que eu faça uns exercícios com lata de tinta na obra, pra ficar mais forte; por mais que eu me instrua para entabular uma conversa interessante sobre todos os temas possíveis, de armas de fogo a poemas de amor; por mais que eu esprema a minha criatividade para fazer boas piadas em todos os gêneros - por mais que eu me arme de todo arsenal possível de bananas que as símias possam gostar, o resultado de uns tempos pra cá tem sido o mesmo: fracasso. A peleja de carnaval em Maresias só comprovou que este símio que vos fala não deve ser um alpha, aliás muito provavelmente um ômega, aquele relegado ao onanismo. Das possíveis causas do meu infortúnio, vale começar pela ausência de medida: ou se está muito sóbrio pra chegar numa mulher, ou muito bêbado. No primeiro caso, a covardia e o medo são um freio-de-mão; no segundo a ousadia e a imprudência são um caminhão em desabalada carreira, que atropela tudo à sua frente. Foi por isso, penso, que em metade dos casos (aqueles em que eu teria uma certa reciprocidade da parte contrária) perdi porque não agi. Na outra metade, perdi porque atraquei-me à bugia feito um orangotango mamado de querosene. Est modus in rebus, já dizia o bom Horário há dois mil anos. Há uma medida nas coisas, e o bugio que fica aquém ou além invariavelmente se fode. Fodi-me, ora pois. Além dessa causa de minha miséria, atribuo também a fatores climáticos outro elemento de desgrama. Afinal, como não parou de chover NEM POR UM SEGUNDO, os imensos gorilas acabavam por tirar a camisa sem maiores constrangimentos, o que não ocorreria em condições normais, ofuscando assim com seus bíceps cavalares a triste figura deste mico-leão. À ganância debito outra peste. Com a chuva, as moças - digo, símias - molhadas despertavam um apetite fora do comum neste chimpanzé que, dedo ante dedo, digita estas linhas. Agora percebo que meus olhos esbugalhados despertavam certo medo nas candidatas a minha esposa, o que é perfeitamente compreensível. Há ainda o fator amigo-da-onça. É de geral sabença que nas raras vezes em que uma símia lhe dirige a palavra, um outro símio aparece milagrosamente ao seu lado para, qual o Moe dos Três Patetas, lhe furar os zóio. O pateta quase sempre fica na mão - e lhe deixa na mão também. Outras causas, talvez, tenham concorrido para o injusto desfecho de minha dantesca viagem a Maresias, na qual injustamente não comi ninguém. Mas o que me deixa mais triste é ver quem efetivamente COMEU alguém ali... Mulherada, ou vocês estão cada vez com mais mau gosto, ou eu é que estou ficando cego, maluco e com um conceito de beleza cada vez mais bizarro. Cá entre nós, ainda tenho pra mim que quem gosta de touro é vaca.
Uma das minas que não me deram bolota 20.2.04
19.2.04
SEÇÃO "RESENHA PICARETA" Como somos símios e malandros, resenharemos um livro sem nos darmos o trabalho de lê-lo. O sujeito abaixo já leu e nos legou seus comentários, inclusive citando excertos da obra. Não precisamos portanto perder tempo lendo-a. Vamos comentar o comentário do cara. É o que quase todos fazem na imprensa atualmente, mas apenas nós temos coragem de dizê-lo, e ainda por cima citar a fonte original, que por sua vez foi-nos oferecida gentilmente pelo Newton, nosso correspondente em Pirajuí e na Alemanha. Vejam a análise do tal Carlos Haag, jornalista da Folha, creio eu, naquilo que interessa: "Autor revela a selva dos abastados O escritor americano Scott Fitzgerald (1896-1940) escreveu que os ricos eram, sim, diferentes de você e de mim. Eles tinham mais dinheiro. A resposta pode satisfazer os cínicos, mas não o jornalista Richard Conniff, autor de "A História Natural dos Ricos", que, com bom humor exemplar, defende a tese de que pessoas com mais de US$ 5 milhões pertencem a uma subespécie cultural: o Homo sapiens pecuniosus. Não adianta revirar o seu Darwin, pois ela não está lá. A "descoberta" de Conniff, no entanto, não deixa de levar em conta a observação "em campo" de como se comportam os milionários e de que maneira eles são tão parecidos, não com você ou comigo, mas com os macacos. Na raiz de tudo está o desejo de dominância, característico daquilo que os biólogos chamam de macho-alfa, o manda-chuva de um bando. Daí mesmo a mania geral de ajustar-se a uma hierarquia social que nos dê um senso de segurança por meio de um prazer todo especial de servir àqueles que estão no topo. Em suma, para Conniff, tudo o que nos aproxima dos símios está mais realçado quando se trata de gente rica. (....) Por fim, o básico de sempre: ricos têm mais e melhores mulheres. Por mais feios que sejam. Onassis era definitivo: "Do que me adiantaria nadar em dinheiro se não existissem mulheres no mundo?". Da mesma forma, na natureza, os símios-alfa conseguem as melhores fêmeas. Jack Welsh, careca e baixinho, deu a receita em seu livro: "Ser rico é ganhar uns 15 cm de altura e uma vasta cabeleira"." É isso aí. "Tudo o que nos aproxima dos símios está mais realçado quando se trata de gente rica". Talvez por isso eu sempre quis ser rico: para ser ainda mais símio do que sou. O tal do Jack também é homem de sinceridade e sabedoria impressionantes, verdadeiramente um símio alpha, ao reconhecer que riqueza e beleza sempre andam de mãos dadas e na mesma proporção. O peremptório Onassis, que sem dinheiro provavelmente se chamaria ONANssis, foi outro que mandou bem, ao destacar que o dinheiro é meio, e não resultado, para um bom alphão. Resultado mesmo é uma piscina cheia de bugias de biquíni, esfregando gentilmente o barrigão cabeludo do orangotango endinheirado, enquanto este fuma um havana grosso como uma banana. Mas o que me impressionou na assertiva de que "tudo o que nos aproxima dos símios está mais realçado quando se trata de gente rica", é o aspecto lógico e a conclusão indireta ali contida: se os ricos são apenas mais símios que os pobres, o que não deixa de ser uma virtude, fato é que os pobres também são macacos segundo o autor. Eis aí a pura verdade. O Mundo é Símio. Em suma: comprem o livro porque ele deve ser bão. Ajudem o autor a se tornar um alpha.
O velho Onassis dá um rolê depois da farra, ainda meio cansadão 18.2.04
Senador Suplicímio. Em meio a tantas coisas de que se tem falado por aí - escândalos, corrupção, propinas, financiamentos de campanhas eleitorais, alta do dólar, baixa do dólar, dólar na mesma merda, reforma da Constituição, reforma paralela da Constituição, reforma perpendicular da Constituição, reforma da Constituição em sinal-da-cruz -, coisas das quais sempre se falou e sempre se falará, pouca gente deu atenção ao único fato realmente importante deste ano: o Dia do Saci. Chega a ser inacreditável, mas quase ninguém se lembrou de render as devidas homenagens ao negrinho perneta no dia que lhe foi consagrado - 7 de fevereiro. Graças a Deus (ou talvez ao Capeta, a quem o negrinho sempre foi chegado), o senador Suplicímio, sempre atento aos assuntos mais sagrados à nossa religiosa Nação, não só se lembrou da data, como ainda alumiou nossas pobres almas com sua presença em glorioso evento onde foram laureadas as façanhas do Saci, esse bravo. É verdade, admito, que a produção da festa não foi das mais incrementadas. Mas o local não poderia ter sido mais apropriado: uma tradicional pracinha da zona oeste de São Paulo, daquelas em que, nos finais de semana, se armam barraquinhas portáteis que vendem acarajé (ou algum outro laxante genérico que lhe faça as vezes), roupas usadas (que vêm com o nobre odor de seus antigos proprietários), adornos domésticos (como aquela coleção de candelabros prateados da vovó que esqueceram de jogar pra dentro do caixão da velha quando ela bateu as botas) e madeira mofada cheia de poeira (que com umas marteladas e pregos se transformam em "móveis de arte", de acordo com o que me disse uma vendedora que me parou na calçada). Em meio a tanta agitação - porque o lugar, nos sábados à tarde, fica apinhado de gente com boa cabeça para os negócios -, armou-se bem no meio na praça uma barraquinha humilde, ainda mais mambembe que as demais, sem quaisquer enfeites ou explicações. Dentro dela, dando notícia de tão importante data, havia apenas um boneco velho, grande, quase do tamanho de um homem, forrado de palha e que, pela postura encurvada da coluna, parecia ter labutado duro por muitos anos como espantalho em alguma plantação, antes de lhe pintarem de preto e lhe arrancarem uma perna - além de, de forma covarde, roubarem sua antiga camisa para vendê-la na barraquinha do lado. Como o gorrinho de Papai Noel, a forma estranha do cachimbo improvisado que mais parecia um charuto (dando ao lépido negrinho ares de um meditativo preto velho) e o calção multicolorido do qual o vermelho era apenas coadjuvante poderiam lançar dúvida sobre a identidade do homenageado, alguém de maior prudência achou melhor colar um pedaço de cartolina junto ao peito do boneco, em que estava escrito, à mão mesmo, a palavra "Saci". Pronto, agora ninguém mais podia ter dúvida. Dúvida, porém, tive eu dos próprios olhos ao ver o senador Suplicímio, de microfone na mão, discursando à frente da barraquinha, perto do Saci que na encarnação anterior tinha sido espantalho. À volta dele, alguns transeuntes, para se distraírem entre uma boa compra e outra, paravam para ouvir-lhe as palavras. Eu e Dom Gustavo, que me acompanhava naquela cultural excursão, fizemos o mesmo, hipnotizados pela presença de tão ilustre expoente da República. Ao início, culpei o microfone. As palavras chegavam-me truncadas; as frases pareciam sem sentido. Aproximei-me da pequena caixa de som colocada bem ao lado do senador Suplicímio e, apesar de doerem-me os ouvidos, continuei sem entender nada. Tentei ainda ler os lábios do orador, mas neca de melhorar a minha situação. As coisas simplesmente não estavam fazendo sentido; a frase que era falada não tinha correspondência com a que lhe era posterior. De frase sem sentido em frase sem sentido, o discurso todo do eminente senador pareceu-me, em sua globalidade, ininteligível. As palavras isoladas tampouco ajudavam. Afora o fato de que a conhecida dicção do ilustre senador acabavam por fazer as palavras engolirem umas as outras, numa indescritível forma de canibalismo gramatical, sequer me era possível captar expressões que estivessem inseridas no contexto da comemoração. Esperava, ao menos nos primeiros momentos, ouvir termos como "cultura", "folclore", "lenda", "mitologia", "símbolo" e, quem sabe, até mesmo "exemplo". Se muito, consegui captar a expressão "lutador", seguida de uma ordem raivosa do senador Suplicímio, que, ao apontar para o Saci, revelava indignação pelo fato de não sei o quê "ainda não ter sido levado pra Brasília" - embora não saiba o motivo, acredito que ele estava se referindo ao boneco molambento, quiçá em razão de seus poderes místicos até então ignorados, mas que um dia ainda fariam o Brasil ir pra frente. Especulação à parte, notei, com o passar do tempo, que a entonação do senador Suplicímio passava do nervoso ao constrangido, do constrangido ao triste e do triste ao constrangido de novo. Não tive dúvida: ele também não via sentido nas próprias palavras que lhe saíam da boca. Mesmo assim, como o pregador que é inspirado pela divindade e fala línguas desconhecidas, ele acreditava que tinha algo importante a dizer - e não parava, apesar de não parecer nem um pouco à vontade. Nisso, fui eu quem ficou pouco à vontade. Perplexo, fui me consultar com Dom Gustavo - que, de peito inflado e sorriso de satisfação, ainda apreciava do mesmo lugar o discurso do senador, como quem aprecia uma pintura renascentista; ia perguntar a ele o que estava acontecendo. Dom Gustavo, sem perder o semblante de satisfação, nem se deu ao trabalho de desviar o olhar para mim: - O homem é um artista, não está vendo? De que importa o sentido, quando a arte é o próprio sentido? Deixa o Mestre falar. De fato, o homem é um artista. Que o diga quem o viu, de túnica branca e coroa de louros, feito um pretor romano, discursando em sessão solene da Câmara Municipal, já na condição de senador convidado a palestrar - ou quem o viu, em entrevista à televisão, declamar, como num sarau, todos os versos de uma música de autoria do grupo Racionais, com direito a todos os palavrões e àquele conhecido gesto com o dedo polegar e o indicador imitando o porte de um revólver, em atitude, por assim dizer, não muito pacifista. Diante de tanta honra - ver o senador Suplicímio numa típica visita às suas "bases", astutos compradores de objetos de arte que, por serem artistas também, nem se emocionam mais com a presença do Mestre (quanto mais despenderem seu tempo para ouvir-lhe o discurso) -, faço promessa solene de não apenas render-lhe o meu voto, mas de fazer campanha ostensiva em seu benefício, seja qual for a eleição, ainda que dela ele não participe. E oxalá possamos ter no futuro um Dia do Saci-pererê comemorado com mais dignidade, como a Nação já vem clamando há tanto tempo.
Esse ouvinte ficou espantado com a sabedoria do Senador 17.2.04
Jogue no macaco, o número é o 17
"... o MACACO com seus braços compridos e seu ar desajeitado lembra uma pessoa esquisita e traz à lembrança que nós homens somos seus descendentes." O trecho acima, de pura poesia, é a bela página do macaco do site da Loteria Popular Paratodos. O que é isso? Boa pergunta. Isso, que eu saiba, não existe em SP. Uma vez, andando em Natal (RN), eu quis saber do que se tratava. Cheguei no fulano que ficava no ponto do Paratodos e perguntei: - Ô, meu senhor, que é esse jogo aí? - É aquele que no Rio é proibido. - Como assim? Jogo do Bicho? - É, isso aí. Como eu acho que a República Fedarativa do Brasil não funciona que nem os E.E.U.U., todos os estados obedecem a uma mesma lei federal quando o caso é algo como o Jogo do Bicho (os causídicos co-autores deste blog podem confirmar isso). Mas, enfim, tem até site e ensina em que jogar conforme o sonho. ps - do site quem deu um toque foi o Korus 16.2.04
JORNAL DO MACACO
Brasileiro-'Monga' mata dois na Flórida
TAMPA (Reuters) - Um ator brasileiro que fazia o papel da macaca-monstro "Monga" matou ontem dois espectadores de seu show que acontecia todas as noites em um parque de diversões de Tampa, na Flórida (EUA). Rodinaldo dos Santos, também conhecido como "Zoínho", mais um imigrante ilegal proveniente de Governador Valadares (MG), aparentemente teve um surto psiquiátrico na noite de ontem e, ainda vestido como a terrível macaca, avançou sobre o público brandindo um tacape improvisado. Zoínho, depois de bater no peito como um gorila possesso, arrancou uma das barras de madeira da jaula da Monga e partiu para cima da audiência. Além de ferir quatro pessoas gravemente, Rodinaldo provocou traumatismo craniano em dois adolescentes que morreram horas depois. Depois da confusão, o brasileiro quase foi linchado pelos turistas que visitavam o "Monkey Nights Theme Park", um dos maiores da costa leste dos EUA. Mesmo imobilizado e protegido pela polícia norte-americana, Zoínho continuou a insultar o público, gritando em portunhol: "americano é tudo macaco!" e levando a mão à genitália. Conduzido até o manicômio psiquiátrico, o brasileiro mostrou grande satisfação em atender os repórteres que para lá se dirigiram. "Foi o que eu disse: esses americanos são tudo uns otários, uns macaco filho das puta", declarou Rodinaldo à reportagem da Reuters. De Brasília, o presidente Luís Inácio Lula da Silva, candidato ao prêmio Nobel da Paz, ligou para seu colega George Bush para se desculpar em nome da nação, justamente num momento delicado entre os dois países, graças à decisão norte-americana de fichar os brasileiros que entram nos EUA. Mas a ação diplomática do presidente foi machada por um novo escândalo. Amigos de Rodinaldo Santos, todos eles também de Governador Valadares, apareceram em frente ao manicômio psiquiátrico de Tampa para apoiar o companheiro preso. Vestidos com máscaras de gorila e camisetas com o rosto de Rodinaldo e os dizeres "King Kong dos Pobres", os brasileiros resolveram acampar em frente a instituição penal e promover uma rave com muita axé music, cerveja e caipirinha. A festa ainda está em curso e as últimas informações dão conta de danças lascivas na chamada "boquinha da garrafa". Inconformados, os policiais norte-americanos que fazem a proteção do manicômio foram unânimes em declarar que a manifestação dos animados mineiros "vão acabar fodendo ainda mais a imagem do Brasil lá fora". 13.2.04
Ken é Corno? Eis uma notícia quentinha e fresquinha (as expressões não são sinônimas nem antônimas), de conteúdo símio auto-explicativo, que achei num jornal internético ao lado de outras matérias fundamentais para nossa vida futura, como a que informava "Malu Mader esmaga o dedo na porta do carro", e a que revelava para surpresa geral "BBB4: Thiago é o anjo novamente". Vejam só que coisa triste: "Barbie se separa de Ken depois de 43 anos Após 43 anos como um dos casais mais bonitos do mundo, o casal perfeito anunciou sua separação. Barbie e Ken "sentem que é hora de passar um pouco de tempo separados". "Como outros casais de celebridades, seu romance de Hollywood terminou", disse Russell Arons, vice-presidente de marketing da Mattel. Arons disse ainda que eles "continuam sendo amigos". (....) Para refletir melhor seu estado civil como solteira, a Barbie virá vestida de bíquini e estará mais bronzeada. Este novo estilo já atraiu um novo admirador, Blaine o australiano, especialista em deslizar-se sobre as ondas. Barbie conheceu Ken em um comercial de televisão em 1961, e desde então nunca mais se separaram. Arons insinuou casar. Todas essas Barbies com vestidos de casamento só são exemplos dos desejos dela, explicou o vice-presidente. (....) E Ken que fará? "Procurará novos horizontes", disse Arons." Êta mundo cão, ou melhor, Mundo Símio: uma boneca velha resolve posar de gatinha queimada e de biquini, após dar um pé na bunda do marido. Sem perder tempo, logo de cara resolve dar pra um surfista australiano. Resignado, o corno Ken, que mal conseguia comer a patroa, agora ficará na bronha e com uma pesada galhada sobre a caixa craniana, "procurando novos horizontes". E isso tudo no idílico mundo infantil das menininhas que ainda brincam de boneca. Imagina quando essas pequerruchas crescerem, as brincadeiras que não vão fazer...
12.2.04
NOTÍCIAS POPULARES SÍMIAS Coluna "Memória Alcoólica" Eram alegres e doces os folguedos carnavalescos de Pirajuí, no início dos anos 90. Os jovens, tomados de alacridade ímpar pela ingestão de lança-perfume caseiro (o popular "loló"), irmanavam-se continuamente, secando como por milagre qualquer poça de rancor e ressentimento que porventura houvesse entre os antigos camaradas. O lança era o perdão e a bondade embalados num tubo de desodorante velho. Um rapaz, em especial, era apreciador do benéfico efeito do tal entorpecente. Chamemo-lo de Senhor S. Pois bem. O bondoso Senhor S., ilustre folião pirajuiense, após consumir grande quantidade de álcool como preparativo para a aspiração do ecumênico lança, resolveu iniciar os trabalhos. Após sôfrego consumo do produto caseiro junto com os colegas, no entanto, começou a sentir náuseas (talvez um sintoma de que seu organismo estava sendo limpado de suas maldades, como ocorre no Santo Daime, segundo dizem). Não tardou e o Senhor S. deliberou largar a turma de amigos e ir até um canto ermo da rua para se recompor, homem astuto e digno que era. Pediu, entretanto, que se fizesse acompanhar do tubo de loló, para melhor resguardar os colegas de eventuais malefícios do consumo excessivo. Ali, enquanto tentava urinar, raciocinou que mais lança lhe faria assimilar melhor a química do produto, fazendo passar o mal-estar. Assim, enquanto tentava segurar o bilau com a mão esquerda, com a direita cafungou um pouco mais da imitação de alucinógeno argentino. Mas qual não foi a sua sorte. Mijando e lançeando, veio a lastimavelmente urinar por sobre o próprio pé, não esquecendo a sua piroca, que agia livremente nas mãos do alucinado, de irrigar em profusão a calça nova, branca, que sua pobre mãe lhe costurara especialmente para a primeira noite momesca. Mas o diabo só caga no monte maior. Chegando novamente até o grupo, ainda meio cambaleante, resolveu "repousar" na calçada. Deitou-se confortavelmente nas pedras irregulares que solidificavam o caminho. Mas ele não havia percebido, infelizmente, que outro amigo, o Senhor B., também havia se sentido um tanto enjoado com o lança caseiro confeccionado pelas mãos de mestre do Senhor S., o que lhe provocara a devolução do macarrão da janta, que veio a jazer todo ali no chão, embaixo do Senhor S. Este, no entanto, repousava calmamente enquanto a mistura de molho de tomate com suco gástrico cumpria o seu ofício de sujar-lhe a camisa florida, igualmente nova, que até então fazia belo conjunto com sua calça branca, ambos presentes da mamãe que deveriam durar todo o período carnavalesco. Como ninguém tivesse coragem de alertar o Senhor S. de que estava cheio de mijo nas calças, e de vômito vermelho nas costas, deixamo-lo assim, porque o lança também tem a virtude de fazer esquecer as coisas. Lá pelas tantas, e já no final do tubo de Rexonna que gentilmente recepcionava o loló, o Senhor S. começou a sentir algumas pontadas na região intestinal. Desesperado por estar na rua, correu do jeito que pôde até o consultório do pai de um amigo, a edificação vazia mais próxima que conhecia. Ali chegando, procurou, naquele segundo que antecede a descida inexorável da merda, um receptáculo apto a receber seu produto fecal. Foi então que viu o tanque de lavar roupa em que o bom médico costumeiramente mandava lavar seus jalecos brancos. Transido pelas contrações, sentou ali mesmo e aliviou-se. Passado o desespero, acorda-se para a realidade. Como limpar o rabo? Sem poder caminhar para não se borrar (ele ainda não se dera conta de que estava completamente mijado e vomitado), vislumbrou perto de si alguns papéis de propaganda, todos inteiramente molhados e em estado de desintegração em decorrência da chuva forte que normalmente cai nos dias de carnaval. Entretanto, aquilo foi a sua salvação (ao menos foi isso que ele pensou). A história é verdadeira e eu o atesto. Foi assim que nosso dileto colega Senhor S. granjeou fama e respeito na cidade, ao terminar uma curta primeira noite de carnaval todo cagado, mijado e vomitado. Seu único lamento foi por surpreendentemente não ter agarrado nenhuma mulher. Dom Gustavo, direto de Pirajuí
Domingo em família 2
(episódio de hoje: "Na cama") Depois de um gostoso domingo em família, o casal se recolhe à parte íntima da casa, se preparando para dormir, eis que a patroa nota algo estranho na indumentária noturna do seu Tavares... - Que merda é essa, Tavares?! - O que, mulher? - Essa mancha de batom na gola do seu pijama? - Bem, isso aqui é o batom do Rubens, nosso genro. Na verdade, ele é transexual, você não sabia? E eu, querida, na verdade sou uma biba louca e ando fodendo com o Rubinho dia sim, outro também. - Ah é?! Pois então eu também tenho uma confissão a fazer, Tavares. Eu, na verdade... sou homem! Nisso, dona Neuma levanta a camisola, abaixa a calcinha e de lá salta o membro viril, pois com a anatomia não se discute. - Olha aqui, Tavares... (diz dona Neuma apontando para o caralho)... eu na verdade tenho um pau, você não tinha percebido ainda, né? Mas vem cá, minha biba, vamos aproveitar esse momento que eu quero comer sua bundinha. - Ai, bem, vamos... venha! (diz seu Tavares, arrebitando o popô) - Que bundinha, ein, Tavares! Que loucura! Nisso, o casal começa a fodelança, dona Neuma comendo o seu Tavares, uma loucura, como se disse. Mas eis que adentra o quarto o pequeno Douglas, filho temporão do casal, e pega os pais em meio àquela lascívia desvairada - Que merda é essa?! - Oh, meu filho, espero que você não se traumatize, mas temos uma coisinha pra lhe contar. Seu pai é uma biba e eu, meu filho, na verdade sou homem! - Ah é? Então eu quero aproveitar pra revelar meu segredo também. Eu, na verdade... sou... (e Douglas mete a mão por trás da nuca e começa a arrancar a máscara de borracha que lhe fazia as vezes de rosto infantil)... na verdade, eu sou... um macaco! 11.2.04
Meu Esporte Favorito. Sempre gostei de praticar esportes. Com o passar dos anos, porém, a gente, não podendo fazer o mesmo com o trabalho, tende a ficar cada vez mais exigente para com a diversão e o lazer, fazendo só aquilo de que realmente gosta. Antigamente tudo quanto era porcaria me divertia. Hoje, não: estou especializado no que me diverte, e, para otimizar o tempo que passa cada vez mais rápido, nem perco energia com experiências de resultado duvidoso: vou direto para a diversão garantida, sem ter de me preocupar em pedir meu dinheiro de volta. Com as atividades físicas que me dão prazer não haveria de ser diferente. E, sendo assim, limitei-me a praticar apenas e tão-somente um único esporte, justamente o que, de longe, mais me agrada: cagar. É isso mesmo. Dar um barro. Castigar a louça. Degolar o mulato. Ou, para ser simples, fazer um bom cocô. Eis o meu esporte favorito, única atividade física que venho praticando já há uns oito anos. Faço esforço, fico suado e, depois do serviço feito, sinto-me mais leve e mais disposto - às vezes, saio até com as pernas doendo. Igual a qualquer outro esporte, na minha opinião. É fato que há outra atividade física que também me agrada, a de fazer sexo com pessoas do sexo oposto. Porém, por razões que só as forças do mundo oculto poderiam explicar, há tempos incontáveis que não faço sexo com ninguém, desde, acredito, antes mesmo de ter me especializado na arte de cagar. Especulo que deva existir algum liame de causalidade entre a especialização numa arte e a abstinência em outra, mas, por enquanto, resta-me a título de consolação saber que, se é verdade que não tenho praticado sexo com seres do sexo oposto, também não o fiz com seres do mesmo sexo - o que, por si só, já considero uma grande benção. Mas grande benção, de fato, é saber ler. Não soubesse eu a arte de, a muito custo, juntar as letrinhas, balbuciando-as vagarosamente na privada, e, certamente, não seria um exímio (e convicto) praticante da cagada, esporte que, ao contrário dos demais (sexo incluído), ainda tem a vantagem de deixar a gente inteligente. Dom Gustavo, que sabe dessas e de outras coisas muito mais do que eu, bem o disse em lapidar verso já transcrito neste mesmo espaço: desgraça suprema do analfabeto não é não saber ler, é sequer ter prazer com a própria cagada. Que me perdoem os analfabetos que visitam este pequeno espaço, mas, se for para ser desse jeito, melhor é se matar logo de uma vez. O problema, infelizmente, é que, nessas leituras, a gente às vezes acaba se deparando com coisas que dão uma azia dos diabos e acabam prejudicando o bom andamento da cagada. Como foi o caso da reportagem sobre o fulano que chamam de Aecinho. *** Matéria publicada na "Veja" desta semana diz que o excelentíssimo senhor governador das Minas Gerais faz o tipo "garotão": como está sempre nas melhores baladas, "aparece em revistas de celebridades, geralmente acompanhado de belas mulheres, artistas de televisão ou jogadores de futebol". Uma imagem vale mais do que mil palavras: numa das fotos que acompanham a reportagem, o Aecinho aparece abraçado junto ao "apresentador Luciano Huck" e a um outro cabra chamado Álvaro Garnero, cuja profissão, segundo a própria revista, é a tormentosa atividade de "playboy" - ou seja, a despeito dos quarenta anos de idade, viver de gastar na balada o dinheiro do pai (um banqueiro que, contrariamente às leis de Deus, teve a manha de quebrar o banco que dirigia). A revista "Veja" é engraçada: para explicar o sucesso do Aecinho, alude-se, com muita pompa e distinção, ao fato de que ele "carrega no sobrenome duas linhagens, os Neves e os Cunha, uma espécie de Cruzeiro e Atlético da tradicional política mineira". Quero só ver se algum dia o Aecinho ficar contrariado e disser que a "Veja" é revista de analfabeto: "de quem ganhou, por herança fossilizada, o coronelato de uma oligarquia formada por latifundiários que, à exceção de breves intervalos, comandam desde os tempos do Império as práticas políticas de todo um Estado, não seria de se esperar outra coisa", ironizaria a revista. "Eu não sou hipócrita", confessa, naquela mesma reportagem, o corajoso governador, justificando toda sua felicidade. Sei não: entre essa frase e aquela dita pelo PC Farias, de que "todos somos hipócritas", parece-me que a honestidade está mais para o lado do velho e bom PC. E olhe que o PC nunca foi lá um santo. Não sei se a dona Marta do PT é hipócrita ou não, mas que ela é bem mais azarada que o Aecinho, disso não há dúvida. Dona Marta nasceu rica, cresceu rica, casou rica, elegeu-se rica - e, de quebra, ainda legou ao planeta o legendário Supla. Eleita prefeita, seu primeiro ato público foi chutar os fundilhos do marido, trocando-o, pra variar, por um argentino. Foi triste ver o senador Eduardo Suplicy - este, sim, um verdadeiro artista - chorando no Senado e, encabulado, revelando na televisão que, se lhe fosse dada a honra, voltaria para a ex-mulher, se ela o perdoasse por ter sido traído. Dentre as múltiplas qualidades do senador Suplicy, a que mais me dá admiração - depois, é claro, de sua especialíssima dinâmica de raciocínio - é a humildade. Acostumada à bajulação, dona Marta, na semana passada, resolveu visitar a população que, excepcionalmente neste ano, foi vítima daqueles caudolosos rios que invadem as ruas da periferia, de sintomática cor marrom. O povo, mal-educado, não respeitou o seu "bem cortado modelito verde" e tascou-lhe "lama", segundo outra matéria da mesma edição da revista. Cá pra nós: duvido que existam mangues em São Paulo. Acho que o povo tascou mesmo foi merda na ingrata da ex-mulher do senador Suplicy, e que até hoje ainda não o perdoou. Bem feito. *** Por mim, qualquer um pode ser qualquer coisa: playboy, amigo do filho do Mário Garnero, mulher ingrata, mãe do Supla, o que quiser. Agora, ostentar a condição de ricos e famosos em festas, casamentos e outros quejandos, enquanto o povo, literalmente, está praticando natação na merda, é coisa que ofenderia até mesmo o senador Suplicy, se ele não estivesse com outras coisas na cabeça - principalmente se a ostentação vem de quem, em campanha pra eleição, vive a beijar criança remelenta e a se dizer preocupado apenas com o bem das gentes pobres, num ato de caridade desinteressada, digna não de um padre, mas de um santo. É mais ou menos como o sujeito que, no velório, pergunta à viúva: "Sabe por que aleijado, quando morre, vai direto pro céu?". "Não", diz a viúva enxugando uma lágrima, surpresa pela pergunta, já que, ao menos que ela soubesse, o finado marido não era aleijado - ou então, pelo menos em vida não parecia ser. "Porque não passa a perna em ninguém", responde o outro, na boa intenção de descontrair o ambiente. Se isso acontecesse de verdade, até mesmo os menos amigos do defuto iam ajudar a linchar o piadista, no mínimo por mau-gosto. Na vida real, tirando um ou outro momento de maior lucidez, o povo aplaude o piadista. Eu, por mim, pegava um trinta e oito velho e, gargalhando igual ao Dadinho no motel, no "Cidade de Deus", pregava fogo nesses vagabundos. São essas leituras que me atrapalham a cagada. 10.2.04
Domingo em família
(episódio de hoje: "Na venda") (tarde de domingo, em algum bairro paulistano, uma senhora adentra um açougue, encosta a pancinha no vidro do balcão e diz ao rapaz...) - Moço, me vê um quilo de criança. - Pois não, minha senhora. É só escolher que nós abate na mesma hora. - Ããã... eu quero aquele ali, o lourinho. - É pra já. É só cortar a cabecinha aqui e... (tchuf) pronto! Vai um quilo, é? - É, um quilo. Pega da bunda que lá em casa o Tavares só gosta de bunda. - Ok, dona. Leva os bagos e o piupiu? - Pode ser. - Leva a cabeça pra fazer sopa? - Vou levar sim, mas é pra dar pro cachorro. Mas era bonitinho o menino, ein? Como se chamava? - Douglas. Era o filho da minha vizinha. Sabe como é, né? Ela tava precisando batalhar uma grana... - Eu sei, eu sei, meu filho. Mas não vamos chorar sobre o leite derramado. Na verdade, eu não vejo a hora de comer essa bundinha e depois foder gostoso com minha nora que tá lá em casa! - É bom domingo em família, né, dona?! - Ô se é! 9.2.04
A noite é foda "...E quando vi que nenhuma mulher olhava pra mim, descobri que estava dançando em cima de uma poça de vumitu..." Essas foram as palavras que retive na mente, como lembrança e síntese da balada de sábado. Nosso amigo Paulão, escritor e baladeiro infeliz como eu, as proferiu em tom de desabafo, com uma lágrima no zóio, às 4:15 da manhã daquela fatídica noite. Sair à noite está cada vez mais foda. Depois de pagar à vista R$ 10 para o bondoso manobrista, que se comprometeu solenemente a proteger meu humilde carro das barbaridades que certamente lhe aconteceriam na rua, conforme me assegurou, noto com pouca alegria que os seguranças seguram a fila, para simular elevada procura pela casa. Há sempre uma entrada para os "vips" (sabe-se lá por que quem é vip o é), e outra para o povo pagante, que é quem realmente dá lucro à casa, apesar dos maus tratos que lhe são infligidos. Exploração do proletariado. Não sendo vip nem dentro de minha própria casa, aderi resignado ao imenso cortejo de homens mulambentos que, dento do caracol que a fila fazia, me fizeram sentir como se estivesse naquele grupo de loucos do filme "Expresso da Meia-Noite". Depois de agraciado com o sacrossanto cartão que me outorgava o dever de consumir ao menos R$ 40 de kaiser quente a R$ 4,50 a lata, entrei no abençoado templo. Aí me lembrei dos iraquianos masoquistas que dão facãozadas na própria cabeça, por puro masoquismo. Lá dentro, andar era tarefa da maior complexidade. Fatalmente você, que tentava se aproveitar da situação para dar uma encoxada, acabava encoxado por algum macho sorrateiro. Encontro então o Paulo, que, a seu turno, começa a me narrar as suas mazelas, igualmente comoventes. Observando ao redor, constatamos que uma vez mais as únicas mulheres boas estavam acompanhadas e - pasmem - dando mole. Trata-se da famosa cotação da bolsa de valores femininos: essas putas querem ver se ainda têm valor na praça. Dar uma de arrematante nesses casos, quando muito, só rende uma encrenca da grossa, afinal quem tem mulher boa é sempre corno e raivoso. Como não como ninguém e por isso sou pacato, propus lançarmo-nos às barangas. Estas, no entanto, não estavam de acordo com nossos planos, como pudemos constatar. Após investidas na mestiça de índio com rato que se dizia consultora financeira (nobre ocupação também conhecida como "a balconista do crediário"); na loira que parecia ser puta e era mesmo; na gringa sozinha cujo namoradão brasileiro tinha ido ao banheiro; na esposa do baterista; e até na vendedora de chicletes que vendia suas prendas num tabuleiro - após tudo isso, encostei num pilar e comecei a chorar. Foi aí então que ouvi as palavras que fizeram eco com minha dor: "...E quando vi que nenhuma mulher olhava pra mim, descobri que estava dançando em cima de uma poça de vumitu..." Pois é. A noite é foda. Dom Gustavo, direto de Lhasa Mais Um que Ama a Televisão (texto de Dom Victor Alfonso Gomes da Silva, sociólogo, português, símio e coloborador deste blog). Falando em televisão símia: Essa semana o Ratinho (que eu queime no fogo dos infernos, mas não o tenho assistido ultimamente) apresentou cenas que certamente haverão de entrar para a história da arte símia brasileira. Certamente ninguém há de desconhecer Chico César, músico paraibano erudito e ilustrado, cujo grande e maior (que eu me lembre o único) sucesso foi "Mama África, a minha mããhãee é mãe solteira e tem que dar mamadeira todo dia, além de trabalhar como empacotadeira nas Casas Bahia". Pois bem, o gênio em questão está comemorando 40 anos. Graças aos céus é de vida, não de carreira. Para deixar marcas indeléveis desta data, o ilustre conterrâneo do Senador Ney Suassuna teve uma idéia de invejável brilho: fazer um show pelado (sim, nu, pelado, sem roupa) em uma praia de peladismo num lugar qualquer do Nordeste. Lastimavelmente não me recordo o nome da indigitada praia, mas lhes asseguro, curiosos leitores, que lhes farei o favor de não revelar o nome do lugar se por acaso me vier à memória corroída pelas drogas e pelo álcorrol. Bem, voltando ao curioso evento artístico, mostrou-nos o Ratinho alguns trechos do show, inclusive com detalhes discretos do bilau do paraibano balançando, enquanto ele, como veio ao mundo, tocava seu violão e dançava na areia, numa cerimônia quase xamanística que levou cerca de 200 símios ao delírio. A reportagem encerrou-se em nível igualmente alto, com uma gorda de cerca de 150 quilos, pelada, correndo em êxtase em direção ao mar, mostrando todo seu contentamento por ter presenciado cenas assim mágicas. Não me consta que a sociedade símia brasileira tenha motivos para manifestar desaprovação ou repúdio em relação ao evento em si, o que seria descabido, já que era uma festa, digamos, privada. Esperava, porém, que ao passar em cadeia nacional, o bilau do paraibano gerasse mais barulho. E olha que meio peito (muchiba, por sinal) da Símia Jackson na final do Símio Bowl deu no que deu, numa prova inconteste de que nós símios brazucas damos de dez nos primatas ianques quando o assunto é liberdade de expressão (apesar de que esta, como tudo neste mundo, deveria ter algum limite). Pensando bem, acho que preferia quando Ratinho mostrava os baianos se estapeando. 6.2.04
Eu Amo a Televisão. Quando estou deprimido, gosto de ver televisão. Quando não estou, gosto também. O diabo é que volta e meia ficam botando na cabeça da gente que televisão é isso, que televisão é aquilo, que televisão embota a mente, que televisão emburrece o símio, que a televisão, enfim, é culpada de tudo, inclusive da minha estupidez. Apesar de gostar da idéia - pois, pra falar a verdade, também acho que não sou o culpado da minha própria estupidez -, acabo levando a sério essas lendas e, como sou símio, efetivamente faço aquilo que todos apenas dizem fazer, mas é claro que não fazem: assim sendo, deixo de assistir à TV. Porém, num ato de bravura e independência, resolvi, nestes últimos dois dias, virar a mesa e mostrar a mim mesmo que tenho personalidade: decidi assistir à televisão. E, para minha surpresa, descobri que há muita coisa inteligente por lá. Não me parece, contudo, ser esse o caso do tal do Big Brother. *** Em sua décima ou décima primeira edição (mas, afinal de contas, que diferença isso vai fazer?), o Big Brother deste ano está de arrebentar. Arrebentar mesmo: não tenho muita certeza, mas, ao que me pareceu, neste ano há um sujeito que dizem ser lutador profissional (logo, de carteira de trabalho anotada e tudo) de um esporte mui requintado e conhecido pelo sugestivo nome de "vale-tudo", um outro cabra que se diz "mestre" das artes da luta greco-romana (espécie de embate filosófico, creio eu, que ficou conhecido por ter sido muito praticado por Sócrates e seus contemporâneos) e um terceiro que gosta de ficar sozinho dando uns golpes de capoeira no ar - infelizmente, não pude aferir se este último sujeito também seria profissional na arte de estiolar os outros. Bem se vê o tipo de pessoas que fazem sucesso por aí hoje em dia. E não é sem razão que os outros homens da casa são todos bem quietinhos. Vendo isso tudo, fico saudoso. Ah, que saudades dos tempos em que os participantes do programa ostentavam a elevada condição intelectual de figurantes do programa da Xuxa ou do Faustão... Aquilo sim era gente inteligente, de conversa boa e raciocínio sagaz. Hoje em dia, o critério para ser mais admirado pelo distinto público se mede pela capacidade de encher o vizinho de porrada. Admiro-me de que, na batalha da seleção natural, as onças-de-cara-pintada não tenham se sagrado as campeãs, ao menos aqui no Brasil - já que, nestas terras, não há leões nem morcegos-gigantes assassinos. Mas isso nem é o pior. Pelo que pude entender, um daqueles camaradas - o que, no registro profissional, recolhe o Fundo de Garantia na condição de lutador de vale-tudo - está deixando de abocanhar uma argentina para ... ficar com uma brasileira! É nisso que dá acabar com a obrigatoriedade do curso de Educação Moral e Cívica nas escolas primárias. Os argentinos vêm para cá e, de norte a sul, traçam todas as nossas mulheres tal e qual peste de gafanhoto em plantação de milho. E as mulheres deles, quando dão o ar da graça nestas terras desgraçadas por Deus (o que é muito raro, em especial se comparadas ao dantesco número de hermanos que invadem nosso solo) olham para o nosso bom povo sertanejo com desprezo que beira ao nojo. Há até quem sustente a tese de que tomar corno de argentino nem corno é; é apenas a força da natureza, tal como a chuva que cai ou o sol que se põe. À luz de tanta injustiça, traçar um argentina é ato de heroísmo que se justifica mesmo se a moça for coxa e desdentada. Mas nem essa desculpa aquele infeliz tem: a argentina é muito mais bonita do que a brasileira e, pelo que andei conversando por aí, parece ser essa a opinião geral. Perdemos a chance de dar uma lição naqueles desgramados. Mas fazer o quê? De um cabra que passa a maior parte do tempo se enroscando com macho suado, não dá pra esperar mesmo bom-gosto. *** Num programa comandado por um gordão de bigode (cujo nome, se ouvi bem, é algo do tipo "Leão Gordo"), armou-se uma espécie de entrevista coletiva com o ... Tiririca. Ele mesmo: "Clementina, Clementina... Clementina de Jesus..." A dada altura, uma das entrevistadoras perguntou ao artista o que ele achava das mulheres que se aproximam de homens famosos só para ficarem grávidas deles. - É gente muito inteligente - respondeu ele, incrivelmente sério. - Burros são os abestalhados que engravidam elas. *** Ironia do destino à parte, Luciana Gimenez prometia uma "bomba" no seu programa do dia anterior: iria entrevistar uma rapariga que se dizia "grávida de um famoso cantor de música serteneja". Para ajudar a apresentadora em tão difícil missão, foram convocadas duas modelos cujos nomes, sinceramente, não me recordo, o Agnaldo Timóteo e o velho Maguila. A entrevistada, de barrigão de no mínimo oito meses, foi logo se defendendo: disse que fazia aquilo "pelos direitos do meu filho"; não queria o dinheiro para si, queria o dinheiro para a pobre alma que estava prestes a habitar este planeta dos infernos. - É - rebateu de imediato o Maguila, no seu sotaque conhecido -, só que o neném não sabe contar o dinheiro. Fico imaginando a criança de uns meses de idade, de babador, sentada num cadeirão na cozinha. Satisfeita, ela empurra pro canto o prato de mingau, se ajeita no estofado, passa a mão pelo chumacinho de cabelo no cocuruto e, com cara de poucos amigos, leva um cigarro ao canto da boca. Depois de acender o cigarro com um isqueirinho do Mickey, o neném, enquanto a mão esquerda coça o bigodinho ralo, põe a mão direita no bolsinho do macacão sujo de mingau e, devagarinho, tira um bolo de notas graúdas. De cigarro aceso no canto da boca, o neném vai colocando, uma a uma, as notas por sobre a mesinha de plástico, ainda com restos de baba misturada com mingau. Quando põe a última nota na mesa, o bebê vira a cabecinha e dá um berro: - CARALHO, MÃE!!! VOCÊ PASSOU A MÃO NA MINHA GRANA DE NOVO?!? Embora saiba que as gerações atuais, em tempos internéticos, são bem mais espertas do que as passadas, arrisco dizer que os bebês de menos de um ano ainda não sabem contar dinheiro. Mas posso estar enganado, visto que há muito tempo que não converso com um deles. O Maguila, como se vê, é sábio. *** Maguila e Tiririca: eis aí o maior potencial de intelectualidade dos tempos hodiernos. É duro constatar, mas o povo não é sábio: intelectuais como eles dão bem menos audiência do que os lutadores do Big Brother. O tempo há de fazer-lhes justiça - porque suas obras ficarão gravadas para que as gerações mais cultas possam lhes laurear. Agora, bem melhor do que os dois juntos é o "Papo Legal". Verdadeiro primor: mãe e pai de todas as outras obras de arte, mistura ficção, realidade, cinema, música, estética e a mais fina filosofia. Metáfora além da própria existência, não posso sequer tentar descrevê-la neste momento, pois os olhos marejam por causa da emoção. Apenas desejo, de coração, que sua televisão possa captar esse programa, diante do qual meu pequeno tamanho me faz indigno até de mencionar. Assista hoje, assista agora, assista já, pois virá daí a sua salvação. 5.2.04
Sinceridade da Medida do Sabão em Pó.
Minha máquina de lavar roupa se aquebrantou e, como na escola nunca fui bom aluno em Física, me vi obrigado a chamar um técnico para consertá-la. Temi pela minha sorte ao ver o cabra chegar: ele era tão vesgo que imaginei que, ao final do serviço, o safado iria me cobrar o conserto de duas máquinas. Graças a Deus, só paguei o de uma, e, de brinde, ainda ganhei um conselho: "Vê se coloca menos sabão em pó, pelo menos a metade do que tem sido colocado", disse ele, não sei se para mim ou se para o preto velho que faz bela figura num quadro dependurado na minha sala. Como o preto velho nada respondeu, achei melhor ir falar com a empregada. De imediato, ela se justificou: - Aqui, eu ponho bastante sabão pra poder sair o fedor da roupa. Nas outras casas eu ponho metade. É isso aí: tenho a honra, agora, de saber-me mais fedido do que a maioria dos viventes de minha espécie - o dobro, pra ser exato. E isso com atestado científico, chancelado pela Física Mecânica do vesguinho, pela Química do sabão em pó e, mais importante, pela implacável sociologia empírica da Antônia. Diante de tanta desgraça, tomei uma decisão radical: cortei com a tesoura os fios da máquina. E a Antônia, daqui pra frente, vai mesmo é lavar roupa no tanque, que é pra largar de ser besta. Estas imagens nos fazem refletir sobre as saídas buscadas pelos mais sensíveis, em face dos dilemas de uma socidade amoral e decadente. ![]()
Símios, os eternos esquecidos
A MCI (ex-WorldCom), controladora da Embratel, anunciou, nesta semana, que a empresa brasileira de telecomunicações registrou um lucro líquido, em 2003, de R$ 224 milhões. No mesmo período, faturou astronômicos R$ 7,1 bi. Os "marqueteiros" de plantão asseguram que grande parte do sucesso comercial se deve à campanha publicitária estrelada por Ana Paula Arósio, garota propaganda da "firma" desde 1998. Como de costume, os iluminados analistas se esqueceram de que as polpudas divisas remetidas ao exterior são obtidas às custas de muito suor - dos macacos... ![]()
Post da lavra de Dom André de Orleans e Bragança, consultor em matéria símia e colaborador deste brógui.
JORNAL DO MACACO
Sagüis brasileiros mostram que machos pensam "mesmo" em sexo Um estudo divulgado nesta semana mostra que os machos realmente pensam -e muito- naquilo: sexo Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison utilizou imagens de ressonância magnética funcional, para analisar as funções cerebrais de quatro sagüis brasileiros. Em artigo no "Journal of Magnetic Resonance Imaging", eles afirmaram que o cérebro fica ocupado quando os macacos inalam perfumes sensuais. Como os humanos, os sagüis vivem em grupos familiares e não copulam livremente com os demais. Eles têm de tomar decisões cuidadosas. Resta ver se os sagüis, como os humanos, passam horas descobrindo qual a escolha certa e, na hora agá, optam pela errada. Matéria enviada pelo correspondente internacional Korus 4.2.04
Quarta feia A segunda e a terça são dias da semana injustiçados. Quarta-feira, de longe, é o pior. É dia tão ruim que se transformou em data comemorativa, e das mais agourentas. Quarta-feira de cinzas. Natal, dia das crianças, sete de setembro, dia de reis - nenhuma outra data comemorativa tem no nome um dia da semana. Apenas a misteriosa quarta-feira. E que data: quarta feira de cinzas. Ateu e sacrílego que sou, desconheço o elevado sentido litúrgico-teológico que a data cristã encerra. Mas, convenhamos: a não ser que se trate de irônica homenagem aos foliões de quem restaram apenas as cinzas após os folguedos momescos, a data só inspira algo de sinistro e de mau gosto. Nem feriado essa porra de data é. Quarta-feira. Dia maldito, dia da indecisão. Não sabemos se devemos estar alegres porque vencemos herculeamente a segunda e a terça, ou se tristes, porque ainda há metade da semana a ser cumprida. Fico com a segunda hipótese: não estamos nem tão perto do início da semana, a ponto de gozarmos dos benefícios do descanso dominical, nem tão perto do final da semana, ocasião em que nos sentimos com forças redobradas, diante da perspectiva de um sábado redentor cheio de pingas e putas. Afinal, nós filhos de Adão e Eva temos que pagar com o suor de nosso rosto o nosso pão embolorado, e só o sábado nos dá uma pálida compensação. Proponho, pois, uma medida singela para sanar esse tormento que é a quarta-feira. Os benefícios da medida em muito superarão seus pequenos prejuízos. Proponho transformar toda quarta-feira em feriado. Assim acabaremos com o problema da terça, que então se tornaria uma sexta, propícia a happy hours e outras celebrações ociosas. De quebra, a segunda também se transubstanciará: virará quinta, véspera de sexta, de modo que nunca mais teremos no domingo aquela sensação frustrante de antever a segunda sinistra. Assim mudando o calendário, os trabalhadores serão mais felizes e produzirão mais, gastarão mais, e o Brasil irá de uma vez para frente. É esta a minha humilde proposta. Dom Gustavo, do escritório 3.2.04
UM REVÓLVER PARA A TERÇA-FEIRA.
Hoje, especialmente, identifiquei-me com o senhor Severino Emiliano, o pobre cabra do sertão piauiense que, como se vê na entrevista abaixo, a despeito da seca e da miséria, reclama mesmo é da segunda-feira. "Aí é foda, meu filho, isso o povo não aguenta mais", desabafou o matuto. Já que nunca tive o privilégio de fazer qualquer coisa inédita na vida, vou aproveitar de vez a onda do sábio Emiliano e reclamar da terça. Ou o Brasil acaba com a terça-feira ou a terça-feira acaba com o Brasil. A um oceano de distância da ilusão esperançosa do final de semana e já sem o conformismo prévio do domingo pela iminência da segunda-feira antecipada, a terça-feira, se algum tipo de emoção tem a oferecer, vai oferecer apenas a emoção da desgraça. Nada de diferente ou proveitoso se programa para a terça-feira; e, se algo de diferente aconteceu, é porque deu tragédia na certa. Espremido entre a depressão uivante da segunda-feira, que faz aflorar a raiva e, por consequência, a reação, e a empolgação sem causa do final de semana, o coração, na terça-feira, não lamenta, não grita e nem faz planos - emudece, solitário, apenas, tão pequeno que parece nem existir. Na terça, não se recebem cartas; o carteiro, se passar, só vai deixar uma conta de telefone ou uma multa de trânsito. E, se alguma mulher de voz agradável ligar, pode apostar que é engano ou promoção de cartão de crédito. Por essas e outras, nunca atendo telefonemas na terça, a não ser aqueles a que sou obrigado em razão do trabalho - ou seja, 95% dos telefonemas que recebo, o que, no final das contas, de nada me adianta. O problema é quando o telefone toca demais. Hoje, logo pela manhã, ele tocou, e do outro lado da linha me pediram para mandar um relatório idêntico ao de um mês atrás, mas, agora, em ordem alfabética decrescente ao invés de crescente, isto é, começando pelas palavras que principam em "zê" e terminando no "a". Pensei em sugerir a meu interlocutor que experimentasse ficar de ponta-cabeça e usar o relatório antigo, mas achei que não seria uma sugestão educada. Depois, atendi outra ligação e um outro sujeito me solicitou o envio imediato de um outro relatório, este trazendo informações de março de 1.997 - tempo tão distante que, hoje, sequer tenho certeza de que aquele mês realmente existiu. Como o relatório é atualizado - e enviado - mensalmente, ousei perguntar a razão pela qual ele precisava de um troço cuja utilidade é menor do que uma foto antiga do Zequinha Sarney. Foi-me respondido que aquele mês era o único que faltava para "completar o arquivo". Perguntei então a razão de possuir arquivo tão belo e detalhado se com o relatório, por exemplo, do mês abril de 1.997, qualquer um, por intuitiva observação, fica sabendo também de todas as informações que aconteceram no inesquecível março de 1.997. "É que alguém pode querer ver", responderam-me com lusitana frieza. Perdi três horas procurando tão laureada peça literária, cujo nome, se eu pudesse escolher, seria: "Março de 1997: As Lágrimas de Tinta Apagada de um Velho Jato de Laser". Minha sorte é que não ando armado, porque, desse jeito, hoje ia acabar sendo preso. Certamente daria um tiro na cabeça do cachorro grande que passeia solto pela entrada do edifício em que moro, religiosamente no horário em que os viventes chegam do trabalho - sob os olhares tranquilos de sua gorda e sossegada dona. Nada contra o cachorro, não fosse o fato de que, a despeito de me ver todo dia, ele teima em latir agressivamente para minha simiesca figura, ameaçando avançar e deixando claro que, qualquer dia desses, ele perde de vez a paciência. "Ele não morde ninguém", testemunha-me a gordona. Por ora, vou confiando no ponderado julgamento do meu amiguinho cão. Mas, pensando bem, o mundo ficaria muito melhor sem aquele filho da puta. Obrigado, meu povo, pelos constantes acessos a este blog. Nossos atendentes, como vocês podem ver, não se cansam de ouvir seus sábios comentários. Dom Gustavo, da redação. ![]() 2.2.04
JORNAL DO MACACO
Maradona chama Pelé de 'macaquito' e zomba do Brasil
BUENOS AIRES (Reuters) - O ex-craque argentino Diego Maradona reacendeu a polêmica com Pelé sobre quem foi o maior jogador de futebol de todos os tempos. Nada demais se ele não tivesse passado um pouco dos limites, ofendendo Pelé e o próprio Brasil. Visivelmente sob efeito de cocaína, Dieguito, como é chamado na Argentina, demonstrou racismo ao chamar o Rei do Futebol de "macaquito sujo e nojento". Como se sabe, os argentinos tem uma longa rixa com seus vizinhos brasileiros e costumam se referir a estes como "macaquitos". Em entrevista coletiva ontem na capital platina, Maradona causou constrangimentos nos jornalistas ao responder sobre o que achava de Pelé. "Aquilo é um 'macaquito' sujo, patético e nojento. Todo brasileiro é assim: um macaco!", afirmou o ex-jogador. Depois de minutos de perplexidade, os jornalistas brasileiros que estavam presentes à entrevista coletiva se armaram de clavas improvisadas e, grunhindo, partiram para cima do astro argentino. Gordo, Maradona seria uma presa fácil para os jornalistas, mas foi protegido pela polícia portenha, que aproveitou por prender os brasileiros, acusados de lesão corporal dolosa grave e tentativa de homicídio. Por causa da superlotação nas prisões da capital, os jornalistas brasileiros tiveram de ser detidos nas jaulas do zoológico de Buenos Aires. Em protesto, se recusam até agora a comer as bananas que lhes são oferecidas como ração.
JORNAL DO MACACO
Gorilas brasileiros escapam de zoológico na Malásia KOTA KINABALU (Reuters) - Dois gorilas brasileiros fugiram ontem de um zoológico em Kota Kinabalu, Malásia. Os animais haviam sido importados do Brasil há dois anos e já haviam se metido em outras encrencas. Os macacos "Ródissom" e "Ronaldo", como foram batizados ainda em terras brasileiras, não demoraram muito até causar problemas ao zoológico e ao governo malaio. Um deles era comumente visto em sua jaula amarrado numa flâmula verde-e-amarela, bêbado, levantando o dedo médio e mexendo a mandíbula como se gritasse "Brasil! Brasil!". Autoridades malaias informaram nesta manhã que o gorila conhecido como Ródissom estaria cercado pela polícia no quintal de uma residência contígua ao parque zoológico. Ródissom, entre outras acusações, teria causado cenas de atentado violento ao pudor. Segundo o tenente da PM paulista que está comandando as operações aqui em Kota Kinabalu, tenente Leôncio Mendonça, o macaco não ajuda com as pretensões do governo Lula de se firmar como um líder mundial da paz. "Esses macacos brasileiros vêm pra cá denegrir a imagem do Brasil lá fora", consternou-se Mendonça ao final da entrevista. 1.2.04
Esta é a foto de Severino Emiliano dos Santos, lavrador brasileiro, bravo sertanejo, em frente à casinha de pau-a-pique que construiu num grotão perdido do sertão da cidade de Jibuiazinho, interior do Piauí. "Aí é foda, meu filho, o povo não agüenta mais essa merda", protestou seu Severino, maldizendo a segunda-feira, porque segunda-feira abestalha a sina do vivente brasileiro. |