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31.5.04
Os gays, esses machos Nunca tive simpatia pela causa gay, apesar de sempre enaltecer as vantagens do bissexualismo feminino. Tenho um defeito irremediável que consiste em achar horripilante, esteticamente, dois barbudos se beijando. Fazer o que, não é opção. É um dado da natureza ter esse defeito, com o qual se tem que conviver. E esse é precisamente o meu defeito congênito: achar homem uma coisa escrota. Estou condenado a gostar de mulher, apesar de já estar quase me esquecendo de como é uma. Prova de que o sujeito é macho é sonhar com mulher. Se outro dia Morpheu lhe botou na cachola um filme em que você era sodomizado por dois negões, sinto muito, chará, tu é gay. Nada contra. Mas tu é gay e pode ir dando um jeito de contar pra sua mãe. Pelo menos vai poder mandar aquela carta pro vizinho bonitão. Outra prova de masculinidade que reputo irrefutável é continuar gostando de mulher mesmo depois de muito bêbado. Essa característica, associada ao fato de continuar com nojo de homem, mesmo mamado e desesperado por não ter agarrado ninguém no fim da noite, distingue quem gosta de mulher de quem na verdade é chegado mesmo numa manjuba. Se você toma umas e começa a abraçar o amigo, a passar a mão na bunda dos outros, propõe um selinho "só de brincadeira" ao colega de copo, ou, pior ainda, se resolve engatar num trenzinho composto mais de macho que de mulher, sinto muito, santa, você terá que conviver com essa realidade cor-de-rosa pro resto da vida. Liberte-se. É por isso que afirmo: macho mesmo, macho de verdade, temos que convir, é o gay. Não me contradigo: continuo tendo nojo de homem e horror à viadagem explícita, mas isso não me impede de reconhecer o legítimo direito dos gays de exercerem sua natureza, por assim dizer, festiva. Só não curto olhar esse lúdico exercício de raspar bigode contra bigode. No entanto, mais do que reconhecer um evidente direito - esse de um macho se atracar com outro, ou com um pepino roliço, ou com quem mais lhe aprouver - é preciso destacar a maior qualidade dos gays, depois da inteligência e da capacidade de ganhar dinheiro: a machice. Afinal, tem que ser muito macho pra encarar outro macho. Principalmente se o outro macho em questão é um negão de 1,98m de altura. A sua namorada já reclamou do sexo anal? Imagine então, meu imaginativo leitor - eu confesso que não tenho essa capacidade de representação - o que seria você próprio levar uma mangueira de grosso calibre na traseira. Afe Maria. Tem que ser muito macho. E assumir pros pais e pro chefe que se é chegado mesmo é num cacete? Já pensaram? Confesso que também não pude conceber tal experiência, mas não deve ser nada fácil. E uma coisa é certa: tem que ser muito macho. Penso que a maior vantagem de ser gay deve ser não gostar de mulher. A constatação parece óbvia, mas as decorrências nem sempre são percebidas. Pra começo de conversa, gay não depende da demorada decisão nem das esotéricas razões da mulher sobre transar ou não no primeiro encontro. Um gay olha o outro e - homens que são, e como tais, sempre dispostos a transar imediatamente com quem lhe atrai - acabam fornicando logo ali do lado, no banheiro, na rua ou no trem. Me surpreende as pessoas não saberem o porquê da promiscuidade que rola entre os gays. Nada mais óbvio: eles são homens, porra! Os heterossexuais só não são tão promíscuos quanto os gays por conta da proverbial dificuldade de se levar uma mulher para a cama. Fosse fácil a coisa e não existiriam nem puteiros, nem boates, e os restaurantes japoneses diminuiriam em muito a sua rentabilidade. Ah, se com as mulheres fosse fácil assim... Coitados de nós, as pobres criaturas que gostam daquela criatura com dois peitos e quadril generoso (não me refiro à Rogéria, obviamente). Meus caros leitores da bandeira arco-íris: sendo pessoas inteligentes, por favor não me entendam mal. Estou elogiando e enaltecendo a coragem de vocês, apesar de minha aversão estética (e sexual, naturalmente) ao exercício da boiolice. Afinal, como sempre digo e repito aos meus amigos, gays ou não, é preciso ser muito macho para ser gay. Acho até que sou meio afeminado por não ser tão macho quanto um gay. Tenho a fraqueza de gostar exclusivamente de mulheres. Mas cada um com os seus problemas.
O Johnny e o Paul disseram que acharam o Mundo Símio "tudo de bom" 28.5.04
EU AMO O DINHEIRO
Quando meu bolso está abarrotado, vejo que eu amo o dinheiro; quando ele está vazio, aí é que amo o desgraçado ainda mais. Por uma dessas tragédias cósmicas que nem o Pai do Inri Cristo saberia explicar, minha triste subsistência neste planeta é sustentada por um dinheiro que aparece de tempos em tempos, na quantidade mais aleatória possível - porém sempre insuficiente. A despeito da minha habilidade de fingir estar trabalhando manter-se rigorosamente a mesma em todos os dias úteis e inúteis do mês, o fato é que às vezes eu ganho algum dinheiro, às vezes não. Em minha opinião, a variação desses modestos ganhos rege-se exatamente de acordo com os principais fatores que ditam o comportamento da economia em geral: a vontade dos espíritos, a posição dos astros e o carma que eu arrasto por conta de maldades que pratiquei em vidas passadas. Ou seja: elementos sobre os quais meu controle é, digamos, um tanto precário. Não que eu ache isso bonito. Acontece que, no decorrer de todos esses anos, úteis e inúteis, os fatos foram se sobrepondo à minha vontade, de modo que, quando me dei conta, já estava nessa onda, e sem opções de sair - afora, é claro, a sempre diligente alternativa da mendicância, que é a profissão com a qual pretendo encerrar meus dias, quando atingir o ápice de minha excelência espiritual. Pela minha vontade, gostaria mesmo era ter um bom empreguinho, vitalício de preferência, no qual eu pudesse, alegremente, passar o dia inteiro a carimbar os versos de algumas folhas de papel (porque carimbar a frente da folha, pra mim, já é um trabalho tormentoso; prefiriria mesmo era carimbar apenas o verso, deixando a frente pra quem tivesse mais reponsabilidade). Não me importaria o salário, contanto que, ao final do mês, soubesse de antemão quanto iria ganhar - coisa que hoje, para mim, é mais difícil do que advinhar qual vai ser o resultado do próximo jogo do Palmeiras. Agora não adianta mais chorar sobre o leite derramado. Mas o diabo é quando nem leite há para derramar. Quando o dinheiro vem, empolgo-me feito quem nunca comeu melado. Vou ao boteco e tomo três pingas de uma só vez, em vez da velha dose habitual. Pago tudo para todos, do café ao jantar; compro coisas de que não preciso, sempre em dinheiro vivo. E, se algum desgramado me vem chorar as mágoas, lamuriando-se das tragédias financeiras, meto a mão no bolso cheio e dôo algum dinheiro ao vagabundo. Se alguém de que gosto se encontra triste, não tenho dúvida: vou ao shopping e tasco um presente para aplainar uma dor a que não dei causa. Aproveito a ocasião e, para evitar, preventivamente, a minha própria tristeza, compro também alguma coisa para mim. Provo para mim mesmo, por equação da mais cartesiana matemática, que viajar de avião, por menor que seja a distância, é mais barato do que ir de ônibus, se consideradas as horas de minha vida que irei economizar fazendo algo mais útil com meu tempo (como, por exemplo, comprar alguma coisa no shopping). Vou confessar uma coisa: quando me sobra algum no bolso, tenho o desejo ardente de rasgar algumas notas, só pra ver qual é a sensação. Só não dou seguimento à experiência porque, daí, ia ser trabalhoso sustentar minha opinião, qualquer que fosse o assunto. O dinheiro, realmente, é o esterco do demônio, como se diz por aí. Mesmo assim, às vezes consigo guardar algum dinheiro no banco. Daí me transformo em doutor. A gerente da minha conta me telefona, toda simpática. Me pede que eu não esqueça de ir lá tomar um café. E me lembra que à minha disposição se encontram opções de investimentos mais rentáveis, e que não usá-las é perder uma boa oportunidade de fazer mais dinheiro. Diz ela que, para pessoas com o perfil mais agressivo, como o meu (sei lá de onde ela tirou essa idéia, eu que, em toda a minha vida, só briguei uma vez e apanhei, de uma senhora gorducha no ônibus), o bom é aplicar em fundos de rendimento variável, tipo bolsa de valores. Digo, humildemente, que nunca fui agressivo, que nunca bati em ninguém, só apanhei uma vez de uma senhora gorda no ônibus, que achou que, por despeito, eu corri na frente para pegar o lugar que acabara de ficar vazio. Mesmo assim, pergunto, por curiosidade, se ela sabe o preço das ações da Eucatex, aquela empresa da família do Maluf - isso sim, acredito, seria um bom negócio: se associar com quem sabe ganhar dinheiro. Ela dá uma gargalhada e diz que sou uma pessoa muito engraçado, que seria bom tomar um café com ela no banco, mesmo que fosse só pra jogar conversa fora. Mas não me diz o preço das ações da Eucatex. Apesar de tudo, recebo pelo correio inúmeras correspondências do banco, quase diárias. Os resultados dos fundos são exibidos com gráficos viris, espelhadas por flechas que rumam para o céu, como que turbinadas por Viagra. Mas em nenhuma delas há qualquer informação sobre a Eucatex. Nesses tempos, a coisa fica ainda pior. Sem aviso nem convite, me batem à porte vendedores de planos de previdência privada, administrados pelo mesmo banco, todos eles de terno e falantes. Pedem um minuto da minha atenção, pois pensar no futuro, dizem eles, é coisa muito importante. Impressiono-me com a disposição do vendedor e tenho pena dele, pois sei que não vou comprar um negócio que sei que não vou usar - já que, como dito antes, pretendo encerrar meus dias na mendicância. Ao final da apresentação, seguro-me para, a título de prêmio de consolação, não sacar do bolso uma nota e dá-la ao pobre vendedor. Ele sempre vai embora decepcionado. Mas nem sempre é assim. Nestes tempos de vacas magras, percebi que meu dinheiro, de tão mal gasto que foi, acabou-se por se acabar. E, como nem mesmo o Robério de Ogum sabe dizer quando ganharei mais alguma coisa, resolvi ir ao banco pedir algum emprestado. A gerente, de tanto me ligar em outros tempos, reconheceu-me pela voz. Alegrinha, levantou-se da cadeira e, educada, pediu que eu me sentasse na outra cadeira, à frente dela. Perguntou se eu queria um café. Com toda a sinceridade do mundo, respondi que, do jeito que as coisas andavam, não tinha dinheiro nem pra café coado em meia da semana passada. Ela gargalhou, igualzinho fazia ao telefone: - Você devia ser humorista! - É verdade, dona - expliquei respeitosamente, apesar dela aparentar ser mais nova do que eu. - Pode conferir aí o meu saldo. Pelo meu extrato, tenho exatos três centavos. Sem contar a CPMF, que vence amanhã. Ela cerrou os olhos e me olhou com raiva: - Deixa eu ver. Virando-se para o computador, ela pediu o número da conta e ficou em silêncio, parada. Resolvi usar meu dom de humorista: - Como a senhora está vendo, não sou de mentir. Infelizmente, a piada não fez efeito. - O que é que você quer? - ela voltou-se para mim, com o rosto duro e os olhos quase fechados. - Um empréstimo - confessei. - Para quê? - perguntou, tão rápida quanto seca. Boa pergunta. Provavelmente para gastar. Pensei em todas as coisas mais úteis que se pode fazer com o dinheiro, mas minha mente, paralisada, só encontrava uma solução: gastar. E então me perguntei: para que o banco vai me emprestar o dinheiro se eu vou acabar gastando tudo mesmo? Estava num mato sem cachorro. Como ela não se mexia, tive de confessar que era um perdulário indecente: - Para gastar - disse, tentando parecer frio como ela. - Gastar em quê? Epa. A coisa estava ficando cada vez mais complicada. Só que dessa vez resolvi ser mais rápido do que ela. - Gastar comprando coisas. - Que coisas? Incrível a capacidade que certas pessoas têm de fazer perguntas irrespondíveis. - Primeiro, vou comprar umas ceroulas novas. O frio destes dias está de matar. Depois, vou ao supermercado. Estou comendo amendoim de saquinho há quatro dias seguidos. Ontem, acabaram os amendoins. Era tudo verdade. Tive a impressão de que a desconcertei um pouco; não muito, só um pouco. Nada que mudasse o semblante que, de tão indiferente, se aproximava da raiva. - E quando e como você pretende pagar? Expliquei a ela que, no fundo, queria apenas ser um carimbador de verso de papel. Mas que, por uma razão insondável do destino, minha atividade era daquelas em que a gente recebe algum tutu só quando a conjunção do Sol e da Lua entram na casa de Vênus, aquela mulher sem braços. - Ah... Entendi. A sua atividade é de ganho sazonal. - Bota sazonal nisso, dona - expliquei, aliviado. Ela me encarou em silêncio, como que a medir o meu caráter. - Prometo que pago - adiantei, tentando poupar-lhe o esforço. Ela me informou quanto o banco poderia me emprestar, os documentos que tinha de trazer, os formulários a preencher. Depois de tudo preparado, era entregar os papéis a ela e aguardar a decisão do comitê. - Que comitê, minha filha? - Comitê de crédito. O comitê de crédito é quem vai decidir se é viável ou não emprestar o dinheiro a você. - E eu tenho de falar com esse comitê? - Não. Quem defende a concessão do crédito é o gerente da sua conta, que, no caso, sou eu. Só espero que ela não se esqueça de falar das minhas ceroulas. O comitê, estou certo, há de sensibilizar-se com essa particularidade do meu caso, coisa que só o dinheiro é capaz de fazer - e é por isso que a cada dia eu o amo mais. *** 25.5.04
ENTREVISTAS DO ALÉM (3)
A ingratião é uma coisa triste. Principalmente para quem a sofre. Graças a Deus (ou ao Pai do Inri Cristo, ou ao Alá, ou a qualquer coisa parecida), naquele dia não foi o Mundo Símio quem se deparou com decepção do gênero. Os ingratos fomos nós. Menos mal, então. O telefone tocou e Dom Gustavo, ainda não recuperado do porre dos últimos cinco dias seguidos em que ele não precisou trabalhar à noite para escrever sua coluna macaca, atendeu de voz mal-humorada: - Fala - ordenou ao desconhecido, de uma forma nem um pouco simpática. - Gustavo... - balbuciou do outro lado uma vozinha fina, que tropegava para sair, quase como num suspiro. - Fala, porra - uma ressaca acumulada, de fato, deixa qualquer mortal sem paciência e, ao mesmo tempo, corajoso. - Sou eu... - insistia a vozinha, num esforço tremendo para se fazer ouvir, embora fraca. - Eu quem, cacête? - Símio Xavier - revelou a voz cansada do médium símio ceraense, pouco conhecido neste mundo, mas respeitadíssimo entre os espíritos desencarnados. - Sei. Diga lá. - Quando é que vocês vêm nos visitar outra vez? - Se tudo der certo, nunca mais. - Preciso que vocês me façam um favor... - prosseguia a vozinha velha do pequeno símio, mais arfante do que nunca. - Preciso de um favor... Venham aqui me entrevistar. Os espíritos-guias estão chateados comigo. Pedem uma retratação. Pedem uma outra entrevista. - De novo essa história? E eu com isso? - rebateu Dom Gustavo, que, em termos de chateação, parecia não dever nada para qualquer espírito-guia do outro mundo. - Vocês pediram pra me entrevistar... Disseram que o lugar onde vocês iam publicar as entrevistas era um espaço sério, dedicado às causas do espiritualismo... - Pois é. Prometemos e cumprimos. - Os espíritos-guias... Os espíritos-guias disseram que as entrevistas foram ridicularizadas. Disseram que vocês não levam nada a sério. - Aí é um problema de interpretação - explicou Dom Gustavo, já um pouco menos irritado. - O senhor diz que o Mundo Símio não é sério, né? Sério então é o quê? Um macaco de óculos que escreve de olhos de fechados numa folha de caderno e diz que, por isso, está recebendo ditado de alma penada? Tenha paciência, meu amigo. - Estou com um problema sério ... - prosseguiu o Símio Xavier, num tom quase choroso. - Enquanto não houver outra entrevista, nenhum espírito vem mais me visitar. - Isso acontece. Minha mãe, que nem espírito é, já não vem me visitar há umas três semanas. E olha que ela nem mora tão longe assim. - Sem os espíritos aqui - insistiu o médium macaco - o povo não vem mais me consultar. E, por isso, parou de contribuir com as doações. - Ahá! - riu-se Dom Gustavo, agora esquecido da ressaca. - Quer dizer agora que o senhor vai ter que trabalhar? - Só trabalhos espirituais - explicou a vozinha, numa hesitação que beirava à vergonha. - Ué, mas que tipo de trabalho espiritual o senhor vai fazer, se não tem mais espírito? - Agora jogo búzios. O que a necessidade não é capaz de fazer... - Desejo-lhe então boa sorte - continuou Dom Gustavo. - Suas entrevistas não nos interessam mais. - Como não interessam? - indignou-se o Símio Xavier, aumentando o volume de voz no máximo que suas velhas cordas vocais permitiam, o que pouca diferença fazia do tom normal da sua vozinha assoprada. - Consegui que vocês entrevistassem o Ashamed, que foi quem escreveu os evangelhos. Consegui que vocês falassem até mesmo com o próprio Jesus Cristo!!! - esganiçou-se o paranormal. - Pois é. O povo não gostou. O que pegou mesmo foi a entrevista da Linda Oliveira, devota do Inri Cristo. Conhece a Linda? - Não ... - confessou o místico, encabulado. - Então tá por fora. Ashamed, Jesus, essas coisas não estão com nada. Aqui, o pessoal prefere as coisas desse mundo mesmo. Não me pergunte por quê. - Eu posso arrumar uma entrevista melhor... - a vozinha não conseguia disfarçar o desespero. - Sei não. Você pode arrumar uma entrevista com o Doutor Góri, do Spectreman? - Ele já desencarnou? - Boa pergunta. Não sei. - Se não tiver desencarnado, fica difícil. - Então fica pra uma outra vez. - Você não quer saber o que os búzios prevêem pra vocês? - Quanto custa? - embora fosse cético a respeito de religião, Dom Gustavo sabia que, neste ou no outro mundo, nada era de graça. - Cinco reais. - Posso mandar pelo correio? - Pode. - Então manda brasa. O Símio Xavier titubeou: - Mas vocês vão pagar mesmo? Sabe como é, tenho passado muita necessidade... - Claro, tio. Manda ver. - Aqui diz que, nas próximas semanas, vocês vão fazer uma outra entrevista. Uma entrevista muito importante... Uma entrevista... Uma entrevista... - Uma entrevista com quem, tio? - Tá difícil ver... Alguém de nome In... In... Parece Inrique... Não, acho que não é isso... - INRI CRISTO?!? - Esse mesmo - confirmou serenamente o paranormal macaco. - AFE MARIA!!! E quando é que vai ser? - Não sei, não dá pra ver direito. Ainda não tenho muita habilidade com os búzios. Só consigo ver uma ou outra coisa, coisas que logo vão acontecer. Tanto que nem sei se, depois, vocês virão me visitar. Acho que meus óculos estão fracos. Nesses anos todos, sempre psicografei de olhos fechados. Não precisava dos óculos. Deixa eu ver... Daqui a uns quinze dias, talvez. Talvez um pouco mais. - Então daqui a quinze dias eu lhe mando os cinco paus. - Mas até lá, como é que eu faço? - Lê aí nos búzios. Dom Gustavo desligava o telefone e o Símio Xavier, lá no interior do Ceará, se ajoelhava misticamente para rezar ao Padim Ciço, pedindo que a sua profecia estivesse certa para ele faturar os cinco mangos.
Dom Gustavo, durante o seu repouso da última semana 22.5.04
Quando a coisa complicou, o Mestre pregou para dois estagiários de Direito ENTREVISTA COM LINDA OLIVEIRA, DEVOTA DE INRI-CRISTO, PARTE 5 - A REVELAÇÃO FINAL 9 - A senhora não acha que um mundo que não conhece INRI CRISTO como a encarnação de Jesus é obviamente um Mundo Símio? R: Todos que não reconhecem INRI CRISTO como o Messias é por que carecem evoluir espiritualmente. Muitos ainda estão na condição de animais semi-evoluídos. INRI CRISTO diz sempre que ele é o símio mais antigo do mundo. 10 - Para finalizar, como a senhora descobriu o Mundo Símio? O que acha do site e seus leitores? Será que poderia interceder em nosso favor para que possamos entrevistar o próprio INRI CRISTO? R: Descobri o Mundo Símio através do site de busca Google. Percebi que suas sátiras são saudáveis e não prejudicam ninguém. Há um leitor que assina o nome de INRI. Pediria que ele cessasse de assinar dessa forma, pois muitos podem pensar que é INRI CRISTO. Após sobrepujar um processo de falsidade ideológica que se arrastou por quinze anos, INRI CRISTO obteve o reconhecimento oficial de sua identidade pelas autoridades terrestres. Em 24/10/2000, o Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Paraná expediu um venerando acórdão determinando que registrassem seu novo nome, INRI CRISTO, em todos os seus documentos. INRI é o nome que lhe custou o preço do sangue na cruz, (Apocalipse c.3 v.12) e CRISTO quer dizer, na tradução do grego, o ungido. Se alguém usar o nome de INRI CRISTO indevidamente, assinando como se fosse ele, pode ser processado por isso, além de estar sujeito a receber um castigo da mãe natureza. Já falei com INRI sobre o Mundo Símio. Imprimi o texto e os e-mails que me enviaram para ele ver. Ele considerou-os interessantes e positivos. Pelas suas respostas, as pessoas que escreveram pareceram ser livres pensadores. INRI CRISTO só concederá a entrevista se os responsáveis pelo Mundo Símio interditarem, proibirem o tal sujeito (que assina o nome de INRI CRISTO indevidamente sem sua autorização) de participar do site. Para quem não sabe o nome de INRI CRISTO é um nome sagrado, foi na dor que ele recebeu esse nome, custou o preço do sangue na cruz. 21.5.04
Rodeado de centuriões da PM paraense, o Mestre prega ao sábio povo, que largou o trabalho para ouvi-lo ENTREVISTA COM LINDA OLIVEIRA, DEVOTA DE INRI CRISTO. PARTE 4: 7-O que representou o episódio em Belém (do Pará) para INRI CRISTO e para senhora? R: A revolução que INRI CRISTO realizou no dia 28/02/1982 foi um marco na história, não só para o Brasil, mas para o mundo. Foi para ele o dia mais maravilhoso de sua vida. O que INRI CRISTO realizou no interior da Catedral da Sé, ninguém a não ser ele poderia realizar. Rompeu o vínculo bimilenar com a igreja romana (por ter se transformado num principado de iniqüidades após sua crucificação) para depois fundar a sua Nova Ordem Católica, a SOUST (Suprema Ordem Universal da Santíssima Trindade), cuja sede provisória se localiza em Curitiba-PR. INRI CRISTO, reunido com mais de dez mil pessoas, entrou na Catedral, subiu no altar, expulsou o sacerdote bradando: "Saiam daqui ladrões mentirosos, adoradores de ídolos, vendilhões de falsos sacramentos. Eu sou Cristo!". Pegou no nicho o crucifixo, arrancou o bonequinho (que dizem ser ele há dois mil anos) e espatifou-o. Sinceramente, este ato jamais será esquecido para aqueles que presenciaram. Malgrado eu não estava presente. Infelizmente esse dia histórico foi boicotado, escondido pela imprensa em nível nacional e internacional a mando de Roma. Os lacaios do Vaticano temiam que após este dia a humanidade se despertasse e reconhecesse INRI CRISTO como o Messias. O que mais me deixa indignada é que a mídia não possui liberdade de expor a verdade sobre INRI CRISTO ao povo. Mas não é cerceada de propagar sobre pornografia, fornicação, futebol, artistas, assassinatos, seqüestros, política etc. Em se tratando de INRI CRISTO, liberdade de imprensa não existe, democracia é um engodo. Como nada acontece na terra sem o consentimento de DEUS, INRI CRISTO tem consciência de que na época a humanidade não estava preparada e talvez não merecesse saber sobre sua existência; ademais, seus vaticínios tinham que se cumprir: "Antes, porém, do dia de glória do Filho do Homem, convém que ele sofra muito e seja rejeitado por sua geração" (Lucas c.17 v.25 a 35). Chegará dia em que toda a humanidade saberá a verdade. Quem viver verá. INRI CRISTO fala com detalhes sobre a Revolução em Belém no site www.inricristo.org.br e também com riqueza de detalhes no livro Despertador 1ª e 2ªparte ditado por ele, contendo inúmeras fotos da revolução. 8-Muitas pessoas questionam a sanidade mental de INRI CRISTO, e, sobretudo a de seus seguidores. A senhora estava em sã consciência quando optou por seguir os passos do Mestre? R: INRI CRISTO não se surpreende com as calúnias, julgamentos e hostilidades que proferem contra sua pessoa. Nem há dois mil anos ele agradou a todos. Anunciou que quando retornasse pela segunda vez, seria novamente rejeitado por sua geração (está no Evangelho de Lucas c.17 v.25 a 35). Ele diz que é louco sim, mas de amor pela humanidade. Em conseqüência deste amor, é alvo de deboches, críticas, julgamentos. Somente DEUS pode julgar. Em Belém do Pará, quando INRI CRISTO foi inquirido por uma junta psiquiátrica, os médicos disseram, após ouvi-lo, que nem no dia do juízo final poderiam dar um laudo sobre ele, pois perceberam que INRI atua numa esfera superior a dos homens. Tenho a plena consciência do que faço. A partir do momento em que resolvi apoiar INRI CRISTO em sua missão, sabia o que estava fazendo. Não me importo se até meus parentes biológicos são contra; o que importa é que eu me sinta em paz e feliz nesse grande ideal que me move. Se eu fosse uma drogada ou uma prostituta, talvez até me apoiassem, mas como resolvi seguir o Filho de DEUS INRI CRISTO, a maioria me julga. Sabem por quê? Por que nem todos podem enxergar a verdade que eu descobri, não podem ver a grandiosidade de estar com INRI CRISTO ao invés de seguir uma estátua cega, surda e muda. Nem todos podem ver como estão presos a suas vidinhas ocas e vazias, a seus egoísmos, a suas mesquinharias e fantasias. Loucos são todos que atiram pedras em alguém que desconhecem. A loucura maior do ser humano é desprezar o Verbo de DEUS INRI CRISTO que está entre nós. Ninguém é obrigado a crer. 19.5.04
No meio do sermão do Mestre, o pau comeu solto... ENTREVISTA COM LINDA OLIVEIRA, DEVOTA DE INRI CRISTO. PARTE 3: 5-Em que língua o Mestre, que é versado em tantas, proclama suas doutrinas? Qual a origem de seu peculiar sotaque? R: INRI CRISTO fala nos idiomas que seu PAI permitiu que falasse: o português (por ser, segundo ele, o neo-aramaico, a língua do país que seu PAI lhe concedeu como pátria), o francês (porque quando foi expulso da Inglaterra foi acolhido na França por nove meses, como apátrida), e o espanhol (percorreu toda a América Latina falando ao povo nas praças públicas, nas universidades, rádios e televisões). A voz de INRI CRISTO é inconfundível, por ser a mesma voz que tinha quando se chamava Jesus. Está no Evangelho de João c.10 v.16 e 27 que seu rebanho o reconheceria pela sua voz. 6-Descreva por gentileza a sua vida antes e depois de conhecer INRI CRISTO. R: Como eu falei em resposta à pergunta dois, fui adepta fervorosa de heavy metal. Na verdade eu não vivia, eu vegetava. Enriquecia as bandas comprando seus discos e roupas, além de ir aos seus shows etc (inclusive tinha recebido uma proposta para ser vocalista de uma banda de heavy metal). Eu era escravizada. E que vantagem eu tinha? Somente desvantagens. O que de bom eu proporcionava ao meu semelhante? Eu não enxergava que tudo isso é passageiro. Seja rock, samba, axé, hip hop etc, tudo passa, tudo passa nessa vida onde tudo é nada. Percebi em tempo que muito barulho, principalmente rock, só traz mal estar ao espírito; nossos neurônios são agredidos e sujeitos a serem deteriorados irreversivelmente. Muita gente não sabe, mas o rock faz parte de um plano para manipulação e escravidão das massas, para a alienação mental do homem. Acredito que de tanto "agitar minha cabeça" ouvindo som pesado, de repente acordei. Despertei de um pesadelo e agradeço a DEUS por haver propiciado que INRI CRISTO me encaminhasse a um mundo melhor. Deixo claro que por conscientização deixei o rock não por renúncia, assim como tornei-me vegetariana por opção. Depois que conheci INRI CRISTO, minha vida mudou radicalmente, seja no comer, no falar, no pensar, no agir, enfim, eu me tornei outra pessoa. Agora sim, faço algo de útil à humanidade, propagando sobre INRI CRISTO, pois muitos mudam de vida depois de conhecer a verdade sobre ele. Eu já ajudei pessoas a mudarem suas vidas após divulgar sobre o INRI. Se colocados em prática seus ensinamentos, o lucro é imenso. INRI CRISTO me concedeu um caminho repleto de paz, amor, harmonia etc. Um caminho que muitos seres humanos buscam encontrar, mas a grande maioria acha que encontrarão no dinheiro, na fama, em viagens, na família, na fornicação, o que é um ledo engano. Somente após conhecer INRI CRISTO é que DEUS me concedeu a dádiva de saber que a real felicidade está em nosso interior e que a liberdade espiritual é o maior tesouro que o ser humano pode ter, mas é um número muito restrito de pessoas que conseguem. 18.5.04
Até o INRI já rodou na mão da polícia... ENTREVISTA COM LINDA OLIVEIRA, DEVOTA DE INRI CRISTO. PARTE 2: 3-Quais os ensinamentos de INRI CRISTO que mais a marcaram? R: Toda a doutrina de INRI CRISTO é marcante. Ele na verdade é uma enciclopédia ambulante. Tudo que você questiona, ele responde com sabedoria, fazendo-nos raciocinar dentro da coerência, da lógica e da verdade, que são indissociáveis. Poderia citar inúmeros ensinamentos valiosos que aprendi com INRI, por exemplo: A lei da reencarnação - Por ele ser o alfa e o ômega, o começo e o fim, ou seja, INRI CRISTO sendo o espírito mais antigo, o espírito mais evoluído depois de DEUS, é o único que pode e tem autoridade de ensinar a profundidade da doutrina da reencarnação. Ele nos faz entender a fundo desde a origem do universo até os tempos atuais. Nos faz entender que a morte não existe e que nada acontece por acaso. O vegetarianismo - Através da conscientização, INRI CRISTO ensina que todos que se tornam vegetarianos vivem uma vida mais plena, repleta de saúde espiritual e material. O vegetal torna o ser humano mais próximo da luz. INRI CRISTO explica que de acordo com o que comemos será nosso caráter, ou seja, nosso comportamento, nossas ações e reações. Em nossa vida cotidiana, se comermos carne da vaca, porco, galinha etc, que são cadáveres em decomposição e putrefação, animalizaremos nosso caráter, porque a carne está impregnada com as emoções do animal morto (raiva, angústia, ansiedade...). Um exemplo é o peru, que precisa ser embriagado com cachaça antes de ser abatido, pois sua carne fica enrijecida de tanta angústia que ele sofre. Estas baixas emoções e angústias contagiam nossos sentimentos, rebaixando-os, insensibilizando-nos ao nível das bestas. Nosso mundo interior se tornará triste, penoso, distante da dignidade que deveria conter nossa alma. Se ao contrário, nos alimentarmos com a saudável alimentação vegetariana, humanizaremos nosso caráter, ascendendo a um superior nível de cultura, e poderemos até mesmo alcançar a sabedoria. INRI ensina que o peixe não tem espírito, portanto podemos comer. Ele é movido por uma energia hídrica.Todo ser vivente que vive fora da água possui espírito e o sangue é o habitat do espírito. Quem quiser saber mais detalhes sobre esses e outros ensinamentos de INRI CRISTO, pode acessar o site www.inricristo.org.br ou adquirir o livro Despertador 1ª parte, que contém em seu bojo a história real e os ensinamentos de INRI CRISTO. Aprender esses ensinamentos com INRI, além de muitos outros foi muito importante para meu aprimoramento espiritual. 4-O que a senhora acha da figura do seu mentor espiritual? Coincide efetivamente com o semblante do antigo Jesus Cristo? R: Tenho a plena consciência de que a imagem de INRI CRISTO é a mesma de há dois mil anos. Compare o seu rosto com a imagem do Sudário de Turim. De acordo com a revista Galileu (nº 99, Editora Globo), "o Sudário da Turim (...) abriga pólens de plantas que só existem na região de Jerusalém (...). A informação foi divulgada, em agosto de 1999, pelo botânico Avinoam Danin, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Ela derruba definitivamente a tese de que seria uma falsificação produzida na Europa durante a Idade Média", comprovando a autenticidade do Sudário. Qualquer ser humano pode observar, contemplando a face do Sudário, que INRI CRISTO é o Messias que foi crucificado. 17.5.04
"SOU O SÍMIO MAIS ANTIGO DO MUNDO" (INRI-CRISTO) Sim, caros leitores. O Mestre INRI-CRISTO em pessoa afirmou que É O SÍMIO MAIS ANTIGO DO MUNDO! E mais: segundo nos revelou em exclusiva entrevista a leitora Linda Oliveira, fervorosa devota e amiga de INRI-CRISTO, o Mestre não só leu os textos publicados neste humilde espaço como achou-os (sic) "interessantes e positivos". Mais uma vez temos que nos render ao bom-senso e sabedoria do Messias de Curitiba. Publicaremos a partir de hoje, diariamente, as respostas da devota Linda Oliveira a nossas pouco inteligentes perguntas. Como a entrevista apesar de saborosa é longa para os padrões "internéticos", divulgaremos apenas duas respostas por dia, para que os leitores menos privilegiados intelectualmente possam absorver todo o seu relevantíssimo conteúdo. Ah, e fica decretado que doravante este miserabilíssimo blog mundano doravante será dedicado a Mestre INRI-CRISTO, nosso maior e mais lúcido leitor, que em breve, se tudo der certo, nos concederá a bênção de entrevistá-lo pessoalmente. Quem viver verá. Em razão de nosso notório respeito pelo Mestre, a pedido dele exortamos aos hereges que assinam seus comentários como "Inri" que cessem sem mais tardanças as suas leviandades, com as quais de modo algum compactuamos. Aos demais leitores, agradecemos pelo empenho em clamar pela entrevista à nossa gentil leitora Linda Oliveira. A esta, não temos palavras para externar nosso agradecimento. Segue a primeira parte da entrevista. Boa leitura. ENTREVISTA COM LINDA OLIVEIRA, DEVOTA DE INRI-CRISTO. PARTE 1: "Primeiramente, gostaria de dizer que não tive a intenção de falar contra o site do Mundo Símio. Acho desagradável quando há pessoas que se referem a INRI CRISTO com sátira, pois tenho a plena consciência da tão séria e árdua missão que o movimenta, mas levarei na esportiva. INRI CRISTO achou interessante o texto do site e as respostas que os editores do Mundo Símio me enviaram. Respondendo as questões: 1-Senhora Linda Oliveira, como a senhora tomou conhecimento pela primeira vez da figura de INRI CRISTO? R: Foi há 13 anos que conheci INRI CRISTO pela primeira vez através de meu genitor, que ouviu sua voz na Rádio Capital de Curitiba-PR e me informou sobre sua existência. Eu tinha apenas 14 anos. 2-Como foi a sua conversão à doutrina do Mestre? R: INRI CRISTO não converte ninguém, ele apenas faz nascer em nós asas para podermos voar rumo à liberdade. Ele planta em nós suas sementes de amor que fazem nascer em nossos corações frutos para nossa evolução espiritual. Desde que eu reencarnei sempre fui muito inquieta espiritualmente, sempre estava em busca de respostas para o sentido da vida, o sentido real de tudo que nos cerca. Vivia sem rumo, tinha uma vida extremamente incerta e vazia. Sempre abominei respostas vãs às minhas dúvidas, como "Porque sim" ou simplesmente "É a vontade de DEUS". Torna-se fácil alguém responder "porque sim" a perguntas que não sabe responder ou jogar nas costas do Criador a culpa por algo que acontece, seja positivo ou negativo, na vida do ser humano. Somente INRI CRISTO me fez entender que a reencarnação é a chave de tudo. Como eu era revoltada e rebelde com esse sistema caótico, tornei-me metaleira. Iludida pelo barulho, letras das músicas, trajes, rebites e pelos buracos onde nos reuníamos, achava que era a melhor coisa do mundo, o máximo. Achava que Black Sabbath, Judas Priest, Manowar eram reis. Que ilusão! Somente mais tarde descobri que o verdadeiro Rei, o Rei dos REIS, é INRI CRISTO, o maior de todos os revolucionários. Certo dia, meu genitor falou-me que Cristo retornou e seu nome é INRI CRISTO. Após ele ouvir a sua voz na rádio, disse que era a voz do Messias. Na hora fiquei atônita. Confesso que achei loucura, pois desde menina acreditava que Cristo está no céu e de lá não voltaria, mas também achei fascinante a idéia de que o Filho de DEUS poderia estar entre nós. Então meu genitor convidou-me a conhecer o INRI, achei interessante, pois sou bem curiosa, ainda mais em se tratando de coisas espirituais. Confesso que no princípio não acreditei, mas também não duvidei. Estava decidida a investigar minuciosamente a história de INRI. Quando estive pela primeira vez com INRI CRISTO, foi um momento único. Senti um frio na barriga, uma sensação indescritível. Percebi a enorme diferença entre ele e os outros religiosos. Sua face irradia luz, sua voz ecoa amor e força, seu olhos transmitem a paz, suas mãos tocam em feridas para curar se preciso for e concedem a bênção a quem precisar, sem nada exigir em troca, seus pés são tão belos e formosos. Enfim, INRI CRISTO é inexplicável. Investigando sua história real e seus ensinamentos, paulatinamente fui descobrindo quão maravilhosa é sua doutrina. Pedi a DEUS que me concedesse o dom de saber se INRI era ou não o Messias, então o Altíssimo me revelou que INRI CRISTO é o Filho de DEUS renascido. Revelou em meu espírito, em meu foro íntimo." 13.5.04
(O texto abaixo, tal qual o que lhe é anterior, tem por finalidade única e exclusiva continuar a encher de linguiça o saco dos nossos respeitados leitores. A idéia original era, a título de protesto, usar este espaço para publicar uma receita culinária, enquanto as respostas da nossa prestigiada seguidora de Mestre Inri não vêm. Contudo, como quem o escreveu não sabe cozinhar nem uma salsicha velha, achou-se melhor abandonar a idéia original. Sem falar, é claro, na possibilidade do Mundo Símio ser processado pelos herdeiros menos conhecidos da finada Dona Benta, tal é o estado das coisas nesse nosso mundo hoje em dia).
MEU RESTAURANTE FAVORITO Tipicamente medianos, eles estão localizados em algum lugar que fica entre aqueles salões acarpetados onde a cesta de pãezinhos acompanhada de bolotas de manteiga não sai por menos de quinze de reais e a fila indiana tortuosa que, esfomeada, espera na calçada pela ração de um real do Bom Prato - ou outro programa governamental do gênero, que, levando a sério o ensinamento de que não se deve dar pérolas aos porcos, incentiva o povo a se empanturrar mesmo é de lixo. Sabendo-se subprodutos típicos das limitações que o tempo cada vez mais escasso impõe à massa que vagueia por entre os prédios comerciais, eles não esperam que o freguês vá até eles. Eles é que vão até o freguês. Daí a sua incrível capacidade de se enfurnar por tudo quanto é buraco, na espreita de que o cidadão incauto lhes esbarre. Esquinas, galerias, sub-solos, mezaninos, sobrelojas, de onde menos se espera eles surgem, simpáticos, arrumadinhos, coloridos e, acima de tudo, gordurosos. Desafiando as leis da Física, a gordura que exala de suas chapas se evapora, suspende-se no ar e, impiedosa, ruma feito uma flecha invisível diretamente por sobre a roupa de quem está perto, para dali nunca mais sair. A esses arremedos de cozinha misturada a sala de jantar e de tamanho de um banheiro de apartamento convencionou-se chamar de restaurante. De fato, ele restaura o desejo de ganhar na loteria para não precisar trabalhar mais e viver de ticket-refeição. Seu grande charme está na simplicidade. É muito simples alugar um pequeno espaço numa galeria de um prédio qualquer, onde antes funcionava um ponto de jogo do bicho, colocar no saguão umas cinco mesas velhas espalhadas e, dentro do estabelecimento, empilhar uma geladeira, um forno de microondas e uma máquina de café. Pronto. Tá aí o restaurante. O meu predileto, como não poderia deixar de ser, fica na galeria do prédio onde, pelo menos até este momento, tenho a honra de dar expediente. Não que ele me chame atenção pela qualidade da gororoba, que pouco fica a dever à do Bom Prato, ou pelo preço de seus quitutes - este sim muito superior ao um real daquele nobre estabelecimento (cinco ou seis vezes superior, pra falar a verdade). O que me cativa nesse pequeno - e certamente ilegal, ao menos no que diz respeito à legislação sanitária - estabelecimento são os seus funcionários. Três viventes trabalham lá, todos eles com aquela cara cansada de quem sabe que, por injustiça divina, é explorado pelo patrão. Talvez por isso eles achem ser legítima a sua veemente recusa em trabalhar. Ao que me parece, cada qual, duas moças e um rapaz, tem uma função específica. Uma das moças, que me olha com um azedume digno de uma dama entendiada num sarau, é responsável por tirar o café, atividade que, talvez por capricho atávico, ela só faz em câmera lenta. A outra, cujo olhar não sou capaz de avaliar, eis que ela nunca me olha diretamente, ainda que eu chame com insistência, parece ter dupla função, mais sobrecarregada, portanto, que os outros dois - e daí o motivo, creio eu, da sua revolta; ela é quem tem a árdua tarefa para tirar da geladeira as folhas de alface velho e as rodelas de legumes pouco nobres para preparar as saladas fedegosas que me lembram alguma coisa do reino animal, bem como esquentar no microondas o nhonque à bolonhesa de bordas ferventes e núclo petrificado de gelo, além de assar, no mesmo aparelho, a especialidade da casa, o misto-quente surpresa, às vezes sem queijo, às vezes sem presunto. Não há outros pratos no cardápio. O terceiro faz as vezes de garçom das três mesas que raramente ficam ocupadas ao mesmo tempo. Ele é alto, deve ter uns dezoito anos, magricela, de braços cumpridos e desajeitados. Como não há bandejas no lugar, não passo avaliar-lhe a habilidade na profissão. Os pratos são trazidos diretamente pelas mãos dele, e seus longos dedos não raro tocam o conteúdo do que está a servir, dando um toque pessoal à comida. Certa feita, perguntei-lhe o nome e, com um grunhido distraído, ele respondeu algo que me soou como "Símiowell". Houve quem, ao meu lado, sustentasse a tese de que, em verdade, o moleque teria dito "Samuel". Sei não. Cai-lhe melhor a alcunha Símiowell. Símioweell, em minha opinião, é de longe o mais inteligente dos três. - Pra beber, uma coca-light - pedi semana passada ao garoto. - Certo - aquiesceu o Símiowell, anotando com capricho o pedido num pedaço de papel, embora a distância entra a mesa e geladeira não fosse maior do que cinco passos. - Pra mim o mesmo - disse o meu companheiro de refeição. - Coca-light? - indagou, com ar sério. Gênio. O Símiowell é um gênio. A pergunta, certamente, tem origem nas mais avançadas ilações da ciência filosófica contemporânea. Poucos, no mundo, poderiam compreendê-la. Eu mesmo não compreendi, apesar de, por puro instinto, reconhecer-lhe a erudição. Gostaria que ele me explicasse melhor a tese, mas falar com ele é difícil. Tanto o Símiowell quanto as outras duas, mesmo na hora do almoço, não se dispõem a esperar quem quer que seja próximo às mesas ou mesmo perto do balcão. Longe disso. Nessas horas, os três vão para o fundo do lugar e, de cócoras, ficam agachados num canto escondido a conversar baixinho entre si, que é para ninguém ver. Ali só come quem tiver fé. É preciso esperar as pernas de um deles começarem a formigar para, depois dele (ou dela) se levantar, ver-lhe o rosto e fazer o pedido. O pedido é pedir para o Símiowell dar a honra de ficar de pé e ir anotar o pedido, o que ele nem sempre faz de imediato, pois, sabe como é, às vezes a conversa está boa e não custa esperar o assunto esgotar. Sem falar que, muitas vezes, eles mesmos estão fazendo uma boquinha por ali, sendo imperioso aguardar, porque a hora da refeição é uma hora sagrada. Há também um quarto sujeito, o qual não citei antes porque não sei se o tal é o dono da espelunca ou se é apenas um, digamos, funcionário mais graduado. Este fica no caixa, apenas contabilizando os lucros, que, aliás, devem ser polpudos. O cabra, lembrando os descendentes do velho Camões, almoça exatamente na hora do almoço, ocupando assim um terço de sua infraestrutura. Às vezes, pode-se vê-lo almoçando num dos restaurantes ao lado - certamente pra dar uma variada -, com trancedental despreocupação. Porém, como os outros restaurantes são mais caros do que o dele, creio que o mais lucrativo acaba sendo mesmo ele almoçar no próprio restaurante. Quem sabe, juntando as três as mesas, só pra garantir que não vai tomar prejuízo. Certamente o superior hierárquico do Símiowell é um sujeito altamente espiritualizado. Ele não se incomada com a conversa dos funcionários, com o microondas desregulado ou com a freguesia a reclamar do misto-quente sem presunto. A única coisa que o incomoda é o troco. Diante de uma nota maior e da caixa registradora quase vazia, ele franze os olhos, morde os lábios com nervosismo e coça a cabeça por quase um minuto, até se decidir ir trocar o dinheiro no boteco do lado, de onde ele acabou de vir após o almoço. O pessoal é devagar, mas é bem-humorado. Uma amiga minha comprou ali um bombom caseiro e, ao abrir a embalagem, viu que a metade de baixo da guloseima estava verde de bolor. Indignada, ela foi mostrar o produto defeituoso aos quatro - que, por coincidência, estavam todos conversando naquela hora -, na presunção de que, numa situação daquelas, era só relatar o incidente para receber o dinheiro de volta. Que nada. Depois de um olhar para o outro, os quatro caíram na mais inocente das gargalhadas. Acharam que a minha amiga estava lhes narrando apenas uma curiosidade, com quem conta uma piada a um amigo. - Olha só, que bombom engraçado - ria o Símiowell, apontando o dedo para o chocolate do Hulk, como passou a ser chamado por eles mesmos. Sou fiel aos meus princípios. É pena que o restaurante do Símiowell não fique aberto também no jantar. Símiowell se pergunta se o "mesmo" de uma coisa é ou não a própria coisa. 12.5.04
As armas e os barões assinalados
Que da ocidental praia lusitana, Por mares nunca dantes navegados, Passaram ainda além da Taprobana, Em perigos e guerras esforçados Mais do que prometia a força humana E entre gente remota edificaram Novo Reino, que tanto sublimaram Como a nossa prezada leitora assecla de Inri-Cristo ainda não nos honrou com suas respostas ao questionário que lha enviamos, vai aí mais um texto para encher lingüiça, em que aproveitamos para instruir o povo em algo prático. Se publicássemos os Lusíadas, como faziam no regime militar, talvez o próprio poeta luso apareça para nos processar, tal é o estado do mundo que nos cerca. DA MISTERIOSA ARTE DE FAZER A BARBA É atividade sofisticada, que só aos poucos se desvela pela experiência a quem se barbeia. Os jovens imberbes, e as mulheres que não se assemelham à Monga (felizmente, a maioria), provavelmente não têm noção dessa ciência oculta. Mas aos homens de boa vontade e má barba eu me dirijo. Há barbas e barbas, sem dúvida. Os de ascendência árabe, os mais infelizes. Os caras têm uma pele donde brotam touceiras em poucas horas. Não é à toa que os Osamas ostentam aquela moita no queixo. Se ficarem sem se barbear por mais de um ou dois dias, nem com talhadeira se lasca o arame fardado de sua cara. Se escanhoam a face (ato de raspar a barba contra o fio, de baixo para cima) com a freqüência necessária para evitar o aparecimento da moita, a primeira barbeada fica lisinha; a segunda já encontra um monte de feridas mal cicatrizadas do dia anterior; a terceira é uma carnificina. Por essa razão, conforme me afiançou um conhecido do exército, certo militar de origem árabe conseguiu a excepcional autorização para deixar a barba crescer no quartel. Por incrível que pareça, é mais higiênico e saudável para esses malafortunados lá da terra do Saddam. A barba ocidental, como a minha, se por um lado deixa-se fazer mais facilmente, por outro é lastimavelmente picada e rala como uma plantação de bêbado. Buracos, falhas e assimetrias são comuns, e todos esses flagelos são distribuídos randomicamente pela miserável face, como numa pintura do Pollock. A aparência de mendigo ao cabo de umas duas semanas sem se barbear é infalível. Há de se deixar crescer bem o fio para que, penteada, a pouca barba forme uma trama razoável, mais próxima das belas barbas de festa junina que os pais inventam nos filhos com uma rolha queimada. Coisa bonita, como se nota. Falei há pouco do procedimento de escanhoar. Ele de fato é uma alternativa à barbeagem (se não existe, inventei a palavra agora) a favor do fio. Esta deixa a pele preservada, mas ficam restolhos de pelo que machucam a delicada tez de nossas donzelas, quando esfregamos a cara na nuca ou noutro lugar da pretendente. Soluciona-se o problema escanhoando. Mas aí é que está: à força do muito escanhoar, dia a dia a sua pele vai ficando um antro de feridas pustulentas e pelos encravados. Ao cabo de um mês desse expediente, você vira um choquito. Não falamos ainda dos talhos e outras calamidades que uma lâmina de barbear velha ou mal conduzida (por motivo de sono, bebida ou simples falta de destreza) pode causar. O resultado calamitoso é sempre ruim e notado no correr do dia, as pessoas perguntando a causa e sacaneando o mal barbeiro de si mesmo. O goleiro pentacampeão Marcos é prova disso, e seus três ou quatro bandeides freqüentemente tascados em lugares diversos da cara não me deixam mentir. Mas o pior é na hora do susto com a vacilada da lâmina. A solução para estancar o sangue que teima em jorrar, que eu pensei ter inventado, é ¿colar¿ pequenas lascas de papel higiênico no local do talho. Rapidamente um misto de coágulo/curativo se forma e seca a ferida. O problema é que ao tirar o belo adorno, volta a jorrar sangue, doravante com fôlego redobrado. Ah, e eu disse que "pensei" ter inventado o lusitano procedimento porque Homer Simpson, ele mesmo, atulhou a sua cara de papeizinhos higiênicos um dia desses. A solução final, pensarão alguns, estará com aquele árabe que pediu licença ao exército para deixar a barba crescer. Assim não se carece de fazer a barba, é verdade. Mas além da odiosa aparência à Los Hermanos que a coisa proporciona, experimente comer macarrão com uma touceira daquelas. A única vantagem será sentir o gosto do molho vermelho e do parmesão uma semana depois da refeição. Pois é. Barba é maldição, provavelmente pelo homen ter metido a boca onde não é chamado, lá no Éden. Não é à toa que aqueles das bandas do Tigre e do Eufrates têm aquele pecado no rosto. (texto escrito em homenagem a Dom Paulo, eterno fã do goleiro Marcos, e contumaz imitador do seu habilidoso jeito de se barbear)
Esse intelectual gosta mesmo é dum bom cavanhaque 10.5.04
O POVO SEMPRE DÁ A QUEM TEM A CORAGEM DE PEDIR
Esmolar é sempre bom. Pedimos a caridade dos nossos amigos leitores e olhem o que recebemos em troca: -----Mensagem original----- De: linda_oliveira@sapo.pt [mailto:linda_oliveira@sapo.pt] Enviada em: domingo, 9 de maio de 2004 23:24 Para: Mundo Símio Assunto: Entrevista Tudo bem, me proponho a participar dessa entrevista. Me informem via e-mail as questões. Cordialmente, Linda Oliveira Sim, meus caros. Nossa estimada leitora e fiel seguidora de Inri-Cristo gentilmente aceitou a entrevista proposta. Isso, estamos certos, graças aos insistentes e comovidos reclamos de V.Sas. os leitores. Aguardem. Como nenhum post poderia ombrear em seriedade a entrevista vindoura, postaremos apenas essa imagem aí, que representa a glória símia, esculpida em pedra para a posteridade. 6.5.04
UMA ESMOLA PARA O MUNDO SÍMIO
O Mundo Símio nunca teve vergonha de esmolar. Principalmente junto aos seus nobres e respeitados leitores. Pedimos sempre, sem nada esperar - e, por consequência, o pouco que nos for dado certamente vai ser lucro. Hoje, porém, a situação é diferente. Não pergunte o que Mundo Símio pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer pelo Mundo Símio. Por ocasião da segunda entrevista feita junto ao renomado médium Símio Xavier, uma não menos nobre e respeitada leitora manifestou sua discordância a respeito da matéria publicada. Ao que pudemos inferir da atenta e minuciosa leitura de sua missiva (o que, sem exceção, fazemos várias vezes ao dia com relação a todas as mensagens que nos chegam, por absoluta falta de coisa mais útil a fazer), parece que ela realmente é seguidora de Mestre Inri. Ao lhe responder, convidamos essa nossa leitora para que, de verdade, ela nos concedesse o incomensurável privilégio de entrevistá-la. Estamos, porém, receosos de que ela faça ouvidos moucos ao nosso pleito. Mas ela, sem dúvida, há de se sensibilizar com os nossos leitores. Pedimos, assim, encarecidamente que nossos prestimosos companheiros nos quebrem mais esse galho. Basta mandar uma mensagem, convidando a nossa amiga a nos dar o privilégio de participar, de fato, de mais essa peleja cósmica. Tudo em nome da transparência e do direito de livre manifestação. (Em tempo: não é necessário incomodar a nossa amiga com envio de mensagens diretamente pra ela; basta se manifestar aqui mesmo, no Mundo Símio, que certamente a nossa nova colega ficará ciente). Nosso editor-chefe envergonhou-se diante da bronca da leitora 4.5.04
Civilização "Lei alemã obrigará prostitutas a terem aprendizes O governo alemão planeja cobrar multas das empresas que não contratarem aprendizes e ressaltou que o castigo incluirá os prostíbulos legalizados que não seguirem a regra, informou ontem a revista alemã Der Spiegel. Os prostíbulos que não adotarem a regra de contratar certo número de aprendizes serão multados de acordo com as novas leis que o governo de centro-esquerda do chanceler alemão Gerhard Schroeder quer impor mais adiante no ano, disse a revista." A notícia é séria, por incrível que seja. Estagiária de puta. Esses alemães são mesmo de foder. Isso é que é civilização. Eu imagino a cena: "Senhorita Helga, sinto informá-la mas a senhora não será contratada como puta em nosso estabelecimento. Durante o estágio a sua avaliação não foi satisfatória, apesar da senhorita Charlotte, sua supervisora, ter falado muito bem de você. Você não dá pra coisa. Mas tenho certeza que uma moça trabalhadora como você terá muitas oportunidades em outras áreas. Por que não tenta Direito?". "Senhor Hans..." - a aspirante a puta mal consegue esconder uma lágrima de desapontamento - "...mas eu estudei tanto para chegar a um dia ser prostituta... Esse sempre foi o meu sonho. Acho que lá em casa mamãe ficará triste. Não se surpreenda se ela vier tentar convencer o senhor a me contratar de novo". Comovente. Bom para os clientes porque, se estagiário sempre ganha pouco, provavelmente o cachê das aspirantes a meretriz deve ser menor - e o material menos desgastado pelo uso. Viva a Alemanha. Estagiária alemã treina strip na barra, sob os olhares da supervisora 3.5.04
ENTREVISTAS DO ALÉM (2)
É fato sabido que, nos últimos tempos, Dom Gustavo tem visto coisas incrivelmente estranhas e quase inacreditáveis. Mas nada que se compare ao ocorrido há três dias atrás. Degustações públicas de carne de rato, mendigos cibernéticos esmolando por água, gente amontoada dormindo sobre um mesmo chão vomitado, tudo isso é café pequeno perto do telefonema dado pelo Símio Xavier. Dom Gustavo, que não é dado a se impressionar com pouca coisa, ficou estarrecido quando atendeu o aparelhinho e, depois da identificação da ligação a cobrar, ouviu o renomado médium reclamar: - Essa entrevista que vocês fizeram foi muito ruim pra mim. Repercutiu mal - lamentou-se a voz cansada do paranormal macaco. - Não teve repercussão nenhuma. A gente não tem muitos leitores, e a tendência é piorar a cada dia. Dos quatro que leram, acho que só um prestou atenção. E ele também trabalha do Mundo Símio - explicou Dom Gustavo, com alta dose de autocrítica e sensatez. - Isso no mundo dos encarnados. Lá no além a coisa pegou fogo. Só se fala nessa porcaria de entrevista. Não sei onde é que eu estava com cabeça. Olha, a situação tá feia. - E eu com isso? Não quero nem saber, não tenho nada que ver com essa história. Eles que são mortos é que se entendam - ponderou Dom Gustavo, não sem também outra boa dose de sensatez. - Os espíritos guias prometeram uma outra entrevista, essa muito mais importante, inclusive para nós do mundo de cá. Nem a mim, que sou o médium, foi revelado quem irá aparecer pra eu psicografar. Estou certo que uma coisa dessas vai ajudar vocês a divulgarem a mensagem de vocês entre mais gente, seja lá qual for essa mensagem. Imaginando que, talvez, a entrevista pudesse render mais dois ou três leitores para o Mundo Símio (o que, no mínimo, dobraria seu seleto e respeitável público), Dom Gustavo respirou fundo, arrumou a mochila e foi direto para a rodoviária pegar o próximo ônibus rumo ao Ceará. Mas agora que o Mundo Símio acaba de receber a entrevista que abaixo vai publicada, compreende-se o porquê da perplexidade de Dom Gustavo com o ocorrido. Como da outra vez, o Símio Xavier colocou a mão esquerda tapando os olhinhos e, com a direita, começou a rabiscar numa folha de caderno velha com um toco de lápis carcomido. De fato, a situação era de assustar. *** Mundo Símio: Quem é você? Espírito no corpo do Símio Xavier: Sou quem tu estás a procurar. MS: Alguma mulher? ECSV: Não na forma em que tu concebes. MS: Você poderia então dizer o seu nome? ECSV: Jesus Cristo. MS: AFE MARIA!!! JC: Não. Sou o próprio Jesus Cristo. Ou, ao menos, assim o fui quando de minha passagem pela Terra. MS: Quer dizer então que o senhor realmente existiu? JC: Existi, existo e existirei. Onde houver dois que em meu nome se reúnam, lá eu estarei. Estarei sempre, conforme a vontade do Pai. MS: Nós tínhamos uma informação diferente. Um tal de Ashamed disse que toda essa história não passava de um romance que ele escreveu. Qual é a sua versão? JC: Os caminhos do Senhor são infinitos. MS: Como assim? JC: Se alguém blasfemou, foi o porque o Pai assim o permitiu. Tudo é conforme a vontade do Pai. MS: Mas e daí? JC: Se o Pai permitiu que alguém blasfemasse, foi porque o Pai sabe o que é melhor aos seus filhos. A sabedoria do Pai é infinita. MS: E o que seu pai acha do Ashamed? JC: O Pai ama todos os seus filhos. MS: Só isso? JC: Não julgai para não ser julgado. MC: Por falar nisso, o que o senhor achou do seu julgamento? O senhor não achou que sua defesa foi, digamos, um pouco lacônica? JC: O Pai a todos provê. Mas em verdade eu vos digo: o Pai, que é sábio, me enviou à Terra numa época em não existiam advogados, ao menos na Galiléia. Com o pouco dinheiro que tinha, ia acabar arrumando um advogado que, ao invés de conseguir morte por crucificação, iria fazer um acordo para parcelar a dívida: dois meses de empalação diária, sem morte, em nada suaves prestações. Teria sido muito pior. Podeis vós supordes o símbolo que os cristãos passariam a usar nas correntinhas? MS: E o senhor acha que valeu a pena a sua vinda para cá? JC: Valer, não valeu. O Pai é perfeito, Ele nunca se engana; mas, se me fosse dado o direito de apontar um engano do Pai, certamente eu diria que teria sido esse. MS: Por quê? JC: Já fostes crucificado? MS: Ainda não. JC: Então não julgai para não ser julgado. MS: O senhor recebe mensagens diretamente de Deus? JC: Recebo as mensagens do Pai. Se Deus existe, só o Pai sabe. MS: Quer dizer que nem mesmo o senhor sabe se Deus existe ou não? JC: Como podeis ver, eis finalmente um ponto que temos em comum com vós. E em verdade vos digo: não é fácil conviver com essa dúvida. MS: O que o senhor pensa a respeito do nosso mundo? JC: Aí na Terra? MS: Sim. JC: Era uma porcaria, está piorando e vai ficar ainda pior. MS: Engraçado. O Ashamed disse a mesma coisa. JC: Certas verdades são evidentes. O Pai, aliás, também pensa o mesmo. MS: O que o senhor acha do Papa? JC: Acho as roupas dele ridículas. Me impressiona saber que há quem siga as palavras de alguém que se veste daquele jeito. MS: E quem o senhor indicaria como um exemplo a ser seguido aqui na Terra? JC: Estais a se referir a alguém de lucidez? MS: Exatamente. JC: Vide Inri Cristo. MS: Inri Cristo? Aquele sujeito que mora no Paraná e... JC: O próprio. MS: O senhor sugere que devemos ser seguidores do Inri? JC: Não. Não digo que deveis seguir o que se chama Inri Cristo. Digo que deveis AGIR como Inri Cristo. Sê igual a ele. MS: O senhor não acha um tanto difícil ser igual ao Inri Cristo? JC: O caminho do Reino dos Céus não é fácil. Tens, porém, um sábio exemplo a ser seguido. Mirai-vos em Inri Cristo, agi como ele, falai como ele, usai suas túnicas, dizei suas orações, e todo o mais vos será dado por acréscimo. Vade por mim, que eu entendo dessas coisas. MS: Mas se o Inri Cristo diz ser o próprio Cristo, como é que o senhor... Símio Xavier (abrindo os olhos de repente): Foi boa a entrevista?
Dom Gustavo, minutos após a sua conversão, exorta o povo a ir se confessar com o Símio Xavier 2.5.04
Manifesto Sodomita
(este texto foi originalmente publicado no quadrado.com) Pau no cu do ego Pau no cu do outro Pau no cu do nariz empinado Pau no cu da violência simbólica Pau no cu dos jornalistas (sobretudo dos editores, ah sim) Pau no cu das certezas Pau no cu do Paulo Maluf (pau no cu com força!) Pau no cu da idéia de que você pode mudar os outros Pau no cu da crítica Pau no cu deste site (ou melhor, pau no meu cu) Pau no cu da pornografia Pau no cu da sodomia Pau no cu do onanismo Pau no cu do sexo (e fim de papo!) Pau no cu dos supostos inteligentes e da reserva de mercado do saber Pau no cu da USP Pau no cu do masoquismo Pau no cu da depressão e do "eu sofro tanto que mereço sofrer mais" Pau no cu da morte à prestação Pau no cu do rock Pau no cu do futebol Pau no cu do Brasil (mil vezes pau no cu do Brasil!) Pau no cu da brasilidade Pau no cu dos trópicos Pau no cu do sistema Pau no cu de quem diz "pau no cu do sistema" Pau no cu do discurso estandardizado e chochinho da imprensa nacional Pau no cu do cu Pau no cu do pau Pau no cu do medo Pau no cu do querer encobrir o fato de que você não sabe nada Pau no cu da diversão, das "baladas", da "loucura" Pau no cu da adolescência, a mais careta e previsível das fases da vida Pau no cu da juventude Pau no cu da senilidade Pau no cu da meia idade Pau no cu do bairrismo, do nacionalismo e do patriotismo de qualquer tipo Pau no cu do Senna, do Pelé, do Guga e da Daiane dos Santos Pau no cu da rede Globo, da Folha de S.Paulo e da editora Abril Pau no cu de quem riu Pau no cu de quem se acha esperto e prafrentex Pau no cu da teoria do caos Pau no cu da semiótica Pau no cu do Nietzche e do Sartre Pau no cu de quem cita caras chiques para posar de inteligente Pau no cu de quem troça de si querendo se mostrar além do além Pau no cu do zé ninguém Pau no cu do ateísmo Pau no cu do fanatismo Pau no cu do esoterismo Pau no cu das almas penadas Pau no cu dos fenômenos sobrenaturais Pau no cu dos ETs Pau no cu do sebastianismo português Pau no cu do imigrante e do nativo Pau no cu dos traficantes, assaltantes, assassinos e estupradores Pau no cu dos advogados (essa é fácil) Pau no cu dos romanos e dos bárbaros Pau no cu dos Estados Unidos da América Pau no cu da TFP Pau no cu do BBB Pau no cu do Ilê Aiyê Pau no cu da baianidade Pau no cu da "consciência negra" Pau no cu de toda seita, confraria, irmandade, torcida, turma, galera e divisão Pau no cu de todo jargão Pau no cu de todos os estados do Brasil Pau no cu da puta que os pariu Pau no cu do casamento religioso Pau no cu de toda a velharia prevista para o nosso mundo Pau no cu de quem corta o texto dos outros Pau no cu dos workaholics Pau no cu do trabalho em geral Pau no cu do "ócio criativo" Pau no cu da qualidade de vida Pau no cu de quem desiste de escrever o que quer Pau no cu do homem, pau no cu da mulher Pau no cu dos "anos 60" Pau no cu dos "anos 70" Pau no cu dos "anos 80" Pau no cu das gostosas Pau no cu da Luma de Oliveira Pau no cu do boto cor de rosa Pau no cu do índio Pau no cu do preto Pau no cu do branco Pau no cu do maconha Pau no cu dos "estados alterados de consciência" Pau no cu da "cervejinha" e do "chopinho" Pau no cu do diminutivo eufemístico Pau no cu do "cult" Pau no cu da justificativa pseudo-charmosa da escrotice humana Pau no cu dos republicanos e dos liberais Pau no cu das briguinhas conjugais Pau no cu do orgulho invejoso dos celibatários Pau no cu da prisão de ventre Pau no cu da afasia Pau no cu da tradição Pau no cu da iconoclastia Pau no cu do niilismo Pau no cu do engajamento Pau no cu apenas Pau no cu do todo Pau no cu do nada Pau no cu de tudo aquilo que você acha que não merece um pau no cu A propósito, pau no seu cu! |